O melhor momento de se um encontro tântrico é um mistério muito mais determinado pelo intento ligado ao espírito sagrado que Cristo nos encaminha, do que por nossos anseios e planejamentos pessoais e egóicos.
Qual é o melhor momento de se relacionar tantricamente? Possivelmente seria aquele que o casal estivesse afinado e com tesão, sem forçar um ao outro, sem preocupações circunstanciais no momento(tal como o trabalho, coisas financeiras, e por ai vai), e é importante, que ambos procurem sinceramente o melhor para o outro, cada qual indo mais além de seus limites em aberto, mas dentro dos limites espirituais e afetivos que o amor a Cristo nos coloca. Se alguém busca seu próprio prazer e não considera no mesmo nível ao outro, muito provável isso implicará num relacionamento complicado e conflituoso, porque se esquecem que tudo é um e há ação e reação. Entretanto é difícil encontramos numa situação em que ambos estejam afinados e num patamar mental, espiritual e afetivo semelhante. Não é assim que funciona a práxis no mundo e interpessoal. Pelo geral nos relacionamos com a alteridade em todos os sentidos, com os outros repletos de barreiras, diferenças e intenções ocultas ou desconhecidas. E muitas vezes dois semelhantes se repulsam por atritos de ego, pois dois eus semelhantes caem no perigo de se iludirem, se apaixonarem como 'almas gêmeas', algo bastante narcisista que é glamourizado, ou se repudiarem como dois egos cegos pelo infantilismo ou algo ainda pior, se afastando do amor a Cristo, já que por princípio seu Amor nos aproximaria e fundiria nossas barreiras e ilusões de individualidade. Gostaria de relembrar a passagem do evangelho de João, em que Cristo nos diz que a perfeição é a plenitude do amor, e que a vida eterna é a plenitude do amor a Ele, 'aquele que é inteiro', como nos diz o evangelho de Tomé. Em seu Amor nos tornamos semelhantes a Ele, inteiros, holísticos, centrados em algo que nos transcende, na direção do qual vivenciamos e integramos todas as camadas densas que nos separam de sua presença no centro transpessoal-cósmico, em grande medida naquilo que C.G.Jung denominava Self. O complexo e limitado é que quase nunca estaremos nos relacionando com alguém semelhante, talvez porque seja esse nosso passaporte para superarmos o mundo e nosso carma existencial e reencontrarmos Cristo aqui-agora. Assim, até mesmo o melhor momento de nos relacionarmos tântricamente é conduzido pelo poder que nos transcende, ao qual estamos ligados pela intenção, similar ao que os místicos chamam de espírito santo, ao qual prefiro chamar de espírito sagrado para incluir o aspecto sexual no amor, o Intento que Cristo nos legou. Pela tradição misoneísta e a misogâmica 'santo' não tem relação com nossa libido sexual. Santo Agostinho, que viveu uma vida pagã e maniqueísta(veja o dvd Agostini, A Queda Do Império Romano) escrevia em Confissões: "Deus, conceda-me a castidade...mas não agora". Isto é, depois que se tornasse velho demais e impotente... Para os puros tudo é puro, já diziam os gnósticos.
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| A intensidade do intercurso tântrico depende da práxis |
Então, pode ser que quando surgir o glamour tântrico, possa ser que nem hajam preliminares clássicas em razão da convivência diária e seus múltiplos sinais de desejo e afeto, possa ser que ambos se acariciem, se estimulem, e já entrem em acordo tácito com o 'como vai ser desta vez' , às vezes nem mesmos beijos de tesão, mas diretos ao ponto, o que não se aconselha aos que vão se iniciar no tantrismo e aos que ainda por muito tempo ainda estarão se integrando ao modo tântrico. Em geral um intercurso intenso sem preliminares não é aconselhável tantricamente, especialmente entre parceiros de pouca convivência e diferenças marcantes, já que pode detonar o mecanismo natural de ejaculação-fecundação. Carícias pelos braços, coxas, peitos, pés e genitais, já permitem o intercurso e atingir o ápice orgástico na mulher,dado a energia tântrica presente no homem, e este ápice levar o homem igualmente em seu rastro, mas buscando sempre se situar dentro dos limites que o tantrismo defende, respirando e sussurrando, sempre atento ao limiar vermelho ejaculatório, acelerando ou retardando as estocadas conforme suas sensações e as sensações da mulher. Talvez uma postura poeticamente descrita no taoismo tântrico como patos mandarins entrelaçados, onde a mulher deita-se de lado e afrouxa as pernas para que o homem a penetre por trás e entre as coxas. Esta postura tem vantagens e dificuldades. A dificuldade é alcançar adequadamente a boca e os seios durante o coito, necessitando de apoio nas costas, passando-se o braço esquerdo sob o corpo da mulher, a mão pode acariciar o seio esquerdo dela. O pico de jade (lingam, falo)penetra o portão de jade(yoni, gruta de fogo)e pode ser estocada em diferentes profundidades com auxílio dos impulsos da pelve e do pé direito do homem sobre a superfície de apoio. Uma vantagem adicional é alcançar o ponto G do canal feminino a qualquer momento e ter-se a mão direita livre para acariciá-la ou masturbá-la se ela preferir também orgasmos múltiplos e associados. Ao homem esta postura facilita conter o reflexo ejaculatório seja pela respiração, lentificação das estocadas, alcançar com a mão direita com rapidez a bolsa escrotal e tracioná-la para baixo caso a ejaculação esteja na 'borda do copo'(inclusive escolher um ou outro testículo conforme considere), ser acariciado pela mulher no falo e nos testículos,sussurrar ao ouvido dela palavras que levem ao orgasmo. O apoio nesta postura de patos mandarins entrelaçados pode incrementar a intensidade da libido tântrica, dado que o contato do pé com superfícies naturais, como fibras e madeiras, intensifica o trânsito da energia entre os amantes. Este pé de apoio do homem e mesmo a coxa esquerda da mulher podem ser apoiados numa superfície mais elevada, tal como um sofá ao lado, para maior amplitude de movimentos e variações das estocadas. Enfim para os buscadores sinceros meia palavra basta.
Mas pelo geral e por muito tempo, dependendo do grau de controle e convivência, contato e conexão com o espírito, no caso o Cristo interior e cósmico, holístico por princípio, enfim, o processo da práxis numa totalidade em que o ego pessoal é mais um proponente do que um sujeito decisor, um intercurso tântrico é mais lento e gradual, quase uma cerimônia, embora hoje em dia poucos dispõe de tempo livre para tal intercurso, mas à medida do domínio do homem e da integração tântrica de sua parceira, o coito se torna também intenso e relativamente rápido, com a energia tântrico-kundalínica se difundindo na mulher e arrastando no seu curso a energia do homem. Realmente no tantrismo crístico o homem deixa a postura preponderante sobre a mulher, e mais do que conduz é conduzido pelos orgasmos dela. A esse respeito, uma dieta mais vegetariana com o tempo facilita ao controle do ímpeto ejaculatório, dado o temperamento engendrado pelo vegetarianismo relativo, até porque se reduz a gula por carnes nos homens por ter reduzido a frequencia ejaculatória. A perda energética que a ejaculação produz faz com que um homem deseje ardentemente produtos de origem animal proteica para compensar a fadiga e os hormônios deficientes. Essa é minha percepção.