quinta-feira, 23 de julho de 2020

A BUSCA DO IMAGINAL - NAGUAL ATRAVÉS DA PERCEPÇÃO CENTRADA NO DAN-TIEN.

Por Vicente Medrano/ julho de 2017.

Nossa civilização está numa enrascada terrível, justo quando conseguimos, por força da aliança histórica entre o catolicismo dito cristão e o poder de Roma, e a seguir com a submissão da nobreza diante da burguesia financeira, chegamos nós da grande massa a um ou dois passos apenas além da escravidão diante da alta burguesia dominante, com um mínimo de possibilidade de experimentar um fio da verdadeira liberdade, que é a plenitude de nosso vir-a-ser humano, já tememos retrocesso por conta justo disso, como também do colapso dos sistemas naturais planetários que a Elite Financeira empreende em sua megalomania de poder a todo custo, e já ouvimos alardes de retorno de escravidão legal de africanos na Líbia islâmica. Temor e tremor diante desses solavancos e retrocessos históricos porque a capacidade do Planeta Vivo está com as horas contadas, e a Elite Ensandecida tem como resposta apenas o genocídio de grande parcela da população mundial, tida como peso morto ao Planeta. E pra este desígnio ecogenocida, a Elite tem recursos desviados e subtraídos do trabalho das massas e subservientes. Como referia D.Juan nos livros de Carlos Castaneda (CC), diante de uma perseguição contumaz e desintegração de futuro, só restou aos perseguidos a via do impossível, o abstrato pra além do que os sentidos e o senso predador poderia alcançar. Talvez seja esse o desígnio secreto e indizível das calamidades históricas que periodicamente se abate sobre a civilização, e mesmo um hemisfério ou até o planeta inteiro: Lançar longe o ponto-de-aglutinação coletivo da humanidade, quando as condições já estão intoleráveis e asfixiantes para manifestação do abstrato, ou seja, o lado reprimido da consciência desde o nascimento, quando somos moldados a perceber e reagir pra funcionar conforme expectativas dos pais e sócio-culturais. 

É assaz muito difícil a alguém com muitas responsabilidades que a luta de combatente neste sistema conduziu, provindo lá de baixo da pirâmide social,mergulhado na indissociável luta dentro da barriga do leviatã do sistema, a fim de sobreviver o suficientemente independente,  e com isso resgatar condições funcionais de almejar o sentido da existência enquanto plenitude Humana de liberdade. Insisto: o poder de controle da Elite Dominante alcançou níveis jamais tidos na história pelo contributo da
ciência que teria sido concebida pra libertar a humanidade da necessidade de escravidão. Não é por nada que o grande símbolo desse poder seja o Olho que Tudo Vê no alto da pirâmide de poder, e isso ilustrado na nota do dollar americano, um papel-fetiche de grande força de sedução no mundo. 

Mais vale servir ao povo nas suas necessidades de sobrevivência e buscar ao máximo simplificar a existência de acordo com nossas possibilidades, nos abstraindo de importância e status no sistema,gerando tempo e energia pra nossos sonhos de extrapolar os limites estabelecidos pela força de coação sócio-cultural-econômica dentro de nós, do que se expor a todo tipo de VIGILÂNCIA E CONTROLE dos aparatos do sistema e todas suas instâncias. Quanto mais alto na escada da pirâmide, mais vigiado, controlado e cobrado estaremos sendo, absolutamente e com toda certeza. Não há como se enganar e achar que a técnica da espreita dos antigos Toltecas daria conta dessa vigilância, pois enganar o lobo dentro do covil é delírio que a Matrix enreda a muitos auto-convencidos, inclusive porque a Espreita com E maiúsculo não é engano auto-indulgente e convencido, ou espionagem e maquinação de engodo pra vantagem pessoal e do grupo de poder, antes é surrupiar tempo, energia e liberdade do Tirano Sistema e não se aliar a esta máquina de megalomaníacos, gff.

 Cada vez MAIS estamos sendo pressionados e oprimidos em todos os sentidos e direções, mesmo lá em posições insignificantes na pirâmide social. Por isso é tremendamente difícil alcançarmos a capacidade regular de isolarmos nossa percepção do todo que nos envolve feito um manto sufocante. Desconectar aparelhos geradores de ondas dentro da casa e do cômodo, inclusive cômodos de madeira são mais adequados a este isolamento perceptivo, materiais e vestuário de fibras mais naturais. Sapatos de revestimento e de solado de fibras naturais, incluindo mocassins de couro, já que o intento neutraliza a reação cármica da vida sacrificada, como na alimentação temos o sacrifício em ação de graças ao Espírito. Sabemos que tem muitos que não aceitam ou entendem esse sacrifício, deveriam se auto-avaliar se estão no caminho do auto-sacrifício, como a gestante e a parturiente se sacrifica pela nova vida que gestaciona, ou da auto-importância que condena a dedicação que anula o egocentrismo em direção a transpor os limites da percepção eu-mundo-tonal. Os que leem CC  entenderão.

O desconforto externo como frio, calor etc precisam ser apaziguados, como o desconforto interno que tantas vezes as condições de saúde e idade perturbam. Nosso tonal- como alertava D. Juan- é frágil às vicissitudes prolongadas, e precisamos render o melhor de nós com o mínimo que somos. Isso bem aprendi a duras penas desde a infância abobalhada: " Quem não é o maior, tem de ser o melhor". Isso tem sentido nas complicadas decisões e dispêndios de tempo e energia que somos obrigados a pelejar. Baseado em CC: "O tonal é como uma ilha- explicou D.Juan- O melhor meio de descrever é dizer que o Tonal é como o tampo da mesa. Uma ilha. E nesta ilha temos tudo. Esta ilha é de fato o mundo. Existe nela tonal pessoal pra cada um de nós e existe o tonal coletivo pra todos nós em dado momento, que podemos chamar de tonal dos tempos. Assim num restaurante há mesas diferentes e diferentes itens sobre os tampos das mesas, mas todas tem a mesma conformação. O mesmo se sucede com o tonal. Pode-se dizer que o tonal dos tempos é o que nos torna iguais, a todos, do mesmo modo que torna iguais todas as mesas desse restaurante. Não obstante, cada mesa separadamente é um caso individual, tal como o tonal pessoal de cada um de nós. Mas o importante é manter convictos que tudo o que sabemos a respeito de nós mesmos e do nosso mundo está na ilha do tonal. Com isso quero salientar, o nagual  é a parte subtraída de nós que não existe descrição, nem palavras, nem nomes, nem sensações, nem conhecimento. E não é Deus, nem o supremo. Isso é construção do tonal dos tempos. O nagual está ali, ali, rodeando a ilha, ali onde paira o poder. Quando começamos a funcionar, o tonal pessoal começa a se desenvolver e o nagual que nascemos, o abstrato, acaba sendo reprimido e descartado, até o momento que nos tornamos completamente Tonal e vivemos por dualismos. O tonal que tem a função de ser Guardião, se torna nosso Agente Carcerário, nosso guarda! " (Porta Para O Infinito). 


 Enfim, Renunciamos ao nosso poder no qual nascemos. Mas isso tem um alto preço que no final das contas, perdemos o sentido pleno da existência!  O tonal é o organizador e classificador. O controlador. Continuando CC: " O tonal que cria e isola termos como eu, eu mesmo, e assim por diante, mas há momentos de choque que, especialmente na vida de um guerreiro, em que a totalidade se torna aparente, uma condição que o tonal carcerário não pode obliterar completamente. Assim é que o nagual pode vir á tona. É sempre um choque, pois essa emergência perturba a ordem auto-imposta. Chamo a isso consciência da totalidade do ser que vai morrer. A ideia é que no momento da morte o outro membro do par verdadeiro, o nagual se torna completamente ativo, e as recordações e percepções reprimidas em nosso tonal pessoal e corpo sensorial começam a expandir e desintegrar-se, tal como as contas de um colar sem fim arrebentado, sem a força aglutinante da vida. A totalidade de nós é espinhosa pois precisamos encarar de frente o significado de nossa morte pessoal. Só precisamos uma pequena parte da tolidade pra cumprir as tarefas mais complexas da vida. No entanto, quando morremos, morremos para a totalidade de nós. Um feiticeiro faz a pergunta: Se vamos morrer para a totalidade de nós, então  por que não buscar viver com essa totalidade? Mas para esse intento um combatente cuida de seu tonal como par equivalente do nagual, pois a vida pode ser tão imperiosa e impiedosa se a pessoa se entregar ás forças do tonal coletivo e do tempo. A juventude não é em absoluto obstáculo á deterioração do tonal. Uma fraqueza assimilada arrasta o tonal para a decrepitude precoce. Mas o fato triste é todos aprendemos com perfeição a enfraquecer nosso tonal. A isso chamo entregar-se.  E o tonal é tão rotineiro quando nosso ponto-de-aglutinação se fixa no tonal coletivo e do tempo, que enquanto o tonal não seria capaz de criar nada de novo,  apenas assiste e auxilia, o nagual é o par responsável pela criatividade. Pode-se dizer que nagual explica a criatividade. Nagual é única parte de nós que tem poder de criar pois não tem limites já que se origina onde paira o poder. " (idem, baseado em Porta Para O Infinito). Referir criatividade para D.Juan e os Combatentes Toltecas só lendo mesmo a obra ou abrindo uma nova postagem a respeito, tal a dissonância absurda que o tonal coletivo tem a respeito de criatividade relativo ao da obra de CC, que se tomada isoladamente soará como prestidigitação. 


Vamos considerar agora os passos possíveis de um preâmbulo no Imaginal que poderia desaguar no estado Nagual. Levando em consideração a advertência de D. Juan que tudo que o Tonal consegue denominar é tonal, por mais extraordinário que pareça, talvez exista dentro do silêncio absoluto, onde o tonal se torne difuso e sem fronteiras perceptíveis, uma espécie de vórtice por onde o nagual em potencial force a mudança em profundidade do ponto-de-aglutinação da percepção, obliterando o recalque de superego que o carcereiro Tonal, rápida e automaticamente perceba e assuma as chaves e a porta de controle da prisão. 

Não tem como: a entrada num âmbito de silêncio no diálogo  interno, imposto, caótico e descentrado, que consome tempo e energia da pessoa, pouco ou nada produtivo, antes ruído mental negativo e ressonador de medo e angústia, a entrada é uma sincera e autêntica oração/conexão com o Espírito, ou pelo menos uma invocação que ocupe a dimensionalidade psíquico-mental, atraindo a energia dissipada pelo ruído mental e relaxa em abertura ao aqui-agora. 

Não tenho memória de referência que D. Juan ou quaisquer dos guerreiros destaquem oração como conexão com o Espírito. Sim, a articulação do intento era inclusive veiculada por meio de ordens em estado de alteração de percepção, uma projeção humana das ordens da Águia.  Faço referência de passagem a uma colocação em O Poder do Silêncio, depois de D Juan relatar a CC a incrível história dos Quatro Túlios fundidos pelo intento : ' Perguntei a D. Juan o que ele pensava a respeito do modo ritual de seu benfeitor nagual Julian, bem como o nagual Elias, de chamar o intento.  D Juan explicou que seu benfeitor levava aos espreitadores chamarem em voz alto o intento  vocalizada lentamente, enunciada clara e deliberadamente tantas vezes quanto o postulante sentisse que fossem necessárias. O timbre de voz subia e descia sem qualquer pensamento. O fundamental é uma total concentração no que é intentado.  Ele explicou que seu benfeitor bem como o nagual Elias era bem mais dado a rituais, portanto, preferiam a parafernália de velas, aposentos escuros, mesas negras. (...) O ritual pode prender nossa atenção melhor do que qualquer coisa que possa imaginar, mas todavia exige alto preço de morbidez e fará com isso ligações  e hipotecas pesadas sobre nossa Consciência. Consciência é resultado do brilho das emanações despertadas pela ancoração no ponto de aglutinação do casulo , como bem sabe. A consciência da vida cotidiana era como estar trancado num quarto daquela imensa casa pra toda vida. Entrávamos no quarto da casa através de uma abertura mágica: o nascimento. E saíamos através de outra dessas aberturas: a morte. Os feiticeiros podiam ser capazes de deixar aquele quarto fechado enquanto vivos, mas podiam escolher ficar em outros aposentos intrincados da casa imensa desconhecida. Mas podiam almejar algo bem além: escapar daquele aposento selado e escolher a liberdade, deixar aquela casa mal-assombrada inteiramente em vez de novos aposentos asfixiantes'. (baseado no capítulo Manejando o Intento de O poder do Silêncio).

 Assim, podemos referir que Oração não era recomendada em relação a manejar intento pois se refere a ordens (ordenações) da Águia, a força abstrata e inapelável do todo Um. Ocorre que gradualmente o caminho tolteca leva o guerreiro a se identificar com a Águia em propósito ao modo da práxis de uma existência, focando a si mesmo como aspectos da Águia e não individualidades.  Há muitas referências do amor de um guerreiro e sua indescritível gratidão pelo ser senciente da terra-mãe, tida como um ser de uma vitalidade em nível e espectro de irradiação tão amplo e incompreensível pra a mentalidade do ser humano médio. Mas nada que se aproxime de uma oração pessoal a este amor. Considero entretanto, como está em várias postagens neste blog, que somos eternamente crianças em nosso coração , que nossos pais naturais são arquétipos a nível psíquico do Pai-Mãe Arquetípicos transcendentais. E assim como fomos gerados, nascemos, nutridos e amparados em nossa infância e adolescência-juventude, os pais serviram de espelho  pra nossa emancipação psicomotora e ponte de passagem ao mundo, também servem de conduto ad infinitum  na postura existencial/transcendental de buscarmos o espelho transcendental pra nossa convivência  com o UM, seja solitários seja acompanhados.  Nesse sentido, fica mais realçado o aspecto também antropopoiético do Molde Humano do Abstrato Um. E Cristo Arquetípico, não o Jesus de religiões em si,  esse mero ícone onde se projeta toda a história de amor e paixão de todos os matizes, mas sim o Cristo Arquetípico do Eu Sou como está em passagens em alguns evangelhos ortodoxos e apócrifos, pode reunir  em si toda a configuração humana e a ultrapassa em envergadura e temporalidade, onde novas dimensionalidades e dimensões são desveladas, não tanto reveladas, desveladas das camadas de obscuridades do tempo e da história, um trabalho de múltiplas facetas, e fundamentalmente desvelado dentro de nós em nosso coração-mente integrados ( o Shen do taoismo dos veneráveis crianças imortais) bem como Molde Humano-Filho que integra Pai-Mãe Arquetípicos e nos leva a perpassar pela nossa fugacidade temporal e mundana na espiral holocentrada de sua manifestação Um. Enfim o Cristo Reconciliador arquetípico, um dos inumeráveis títulos do Cristo,que conforme o momento e contexto podem ser invocados como mantra até gerar um refúgio mental da força dissipativa, e mesmo esvaziando a ansiedade e logorreia de pensamento vinculado às imagens-pensamento  do mundo, essencialmente passado e não aqui-agora. Leia-se a obra de Geza Vermes, As Várias Faces de Jesus, de Leonardo Boff, Evangelho do Cristo Cósmico - A busca da Unidade do Todo na Ciência e na Religião, para a questão dos ´títulos sagrados´de Iéshoua... Nesse sentido disponho a oração a partir do coração-mente (escrita então como Oração, ou oração-intento).  Se parecer de difícil ou digna de rejeição, cada um deve buscar sua própria forma de conectar ou avaliar seu coração enquanto fonte de auto-nutrição ou dependência essencial de nossa natureza diante do Incognoscível e incomensurável, que já nos aterroriza os tentáculos titânicos do Planeta Gaia em sua manifestação, nem tenho palavras pra descrever o incomensurável além-Gaia,  e consonante o além-Tonal. Assim sendo, posto que estamos sempre diante de nossa insignificância e a espada de Dâmocles da morte sobre nossa cabeça,a própria força de desespero diante do combate cada vez mais titânico por nossa plena libertação diante de poderosa força tenebrosa dominante no mundo do Tonal,  força já referida no primeiro parágrafo desta postagem, que nos asfixia em pensamentos, e se põe de carcereiro e guarda mesquinho impedindo o silêncio interior com todas as manobras possíveis, mesmo reflexões brilhantes e orientadoras de questões complexas que nos envolve na batalha da existência, esta angústia já nos arremete à oração, integrando Coração-Mente, gerando assim intento


dissolução dos limites e conformações, dantien, respiração sincronizada (tapete ondulante, curva sinusoidal, buraco-negro, imaginal Ives-Jean Leloup...etc.

SOCIEDADE ALTERNATIVA