domingo, 7 de maio de 2017

Buracos Negros gerando e aniquilando em nossos Centros de Energia: Inversão de Percepção, Visão Intuitiva: Crise é Oportunidade.

por Vicente Medrano.

Em época de crise-limite onde não temos pra onde correr, um buraco negro pode se abrir diante de nós nos triturando e vomitando, ou nos recriamos integrando ou nos desintegramos.



Muitas vezes uma intuição de pesquisa sumária pela Internet pode nos contactar com nossa dimensão imaginal-corpomental, com as imagens concebidas pela linguagem mítica, mística, científico-antropológica. Foi assim com a leitura de artigos de blogs e links sobre Buracos Negros. Esse enigma do Cosmo ressurge em revistas e artigos sobre cosmologia e curiosidades do universo profundo, ao lado de estrelas de neutrons, quasars, pulsars, supernovas, e todo o imaginário cosmológico da ciência fuçadora dos espaços siderais. Considerando o que se lê e conseguimos entender enquanto auto-didatas no assunto, o enigma de Buracos Negros também se espelha analogicamente para sentirmos o caos histórico de nossa época-limite e assim em nosso próprio sistema energético corpomental. Essa a visão holística integrada que nossa mitologia contemporânea está resgatando da noite dos xamãs do espírito, escola que no Brasil Pierre Weil e Colaboradores da Universidade Holística de Brasília tentou despontar a partir da física quântica como um ramo da ciência que buscava integrar a cultura dos tempos e os conhecimentos da ciência profunda, mas que atualmente está sendo ofuscada pelo medo dos limitados e especializados, compulsivamente fixados em controlar pra dominar. É uma convulsão de busca por existência mais plena em meio ao conservantismo compulsivo. 


Estava então nesta tarde de domingo deitado me centrando no Dan-Tien abaixo do umbigo, buscando silêncio e contemplação interior debaixo das cobertas nesta época fria de maio. Havia colocado um CD de mantras com monges tibetanos com suas vozes de coral cavernoso, até que aos poucos a mente foi se acalmando ao prestar atenção no ritmo dos mantras e me centrar no silêncio do Dan-Tien. Parece que o tempo foi se dilatando e o CD parecia interminável, com um ritmo se sucedendo a outro em sons cavernosos e graves. Então vieram-me imagens dos Buracos Negros galáticos, em especial de nossa Via Láctea, este enigma incognoscível que promove uma dança espiral titânica de milhares de mega-estrelas no seu horizonte de eventos, tritura as estrelas que são sugadas e ao mesmo tempo devolve energia, forças atômicas e gases plasmáticos, que se resfria até reciclar a matéria conhecida e desconhecida, anti-matéria e matéria escura. Este absurdo cósmico veio do princípio do Cosmo e continua ressurgindo no centro de novas galáxias e junto de estrelas enquanto isoladas, de modo inobservável por meio de telescópios de luz visível. Como algo simplesmente surge e existe no meio do espaço galático, um vórtice que tritura estrelas e galáxias e vomita novos campos de existência?? Os Buracos Negros são tão negros e inconcebíveis que são o limite de eventos também pra nosso potencial perceptivo racional. Estão provocando na história e em nós morte e renascimento onde o fim se reencontra com o princípio aqui-agora e re-ciclicamente. 





Foi então que me adveio o impulso de inverter o fluxo de imagens-pensamentos racionais/externos e inverter a polaridade para o fluxo imaginal interior, buscando sentir meus centros de energia como vórtices de buracos negros e ISSO me ampliou o sentimento e imagens internas do Vazio do Dan-Tien e do Pulsar do centro Cardio-Respiratório, um caldeirão de poder, irradiação e luz iluminando a noite interior do peito até a coluna nervosa das costas. Essa onda pode ser levada a percorrer-me a coluna na sua intimidade até a protuberância e a transição com o meio do cérebro, o mesencéfalo, tanto em sua projeção retro-pineal quanto antero-hipofisária, e foi levada aos núcleos cinzentos da base, esses núcleos de neurônios sábios que funcionam permitindo a existência harmônica com a camada cinzenta do neocórtex cerebral, núcleos esses que em condição habitual de meditação respiratória não tenho poder de visualizar de modo mais direto, exceto por imagens de ilustrações. De repente me surgiram as imagens neuroanatômicas dos núcleos cinzentos do mesencéfalo, tais como o núcleo lenticular, o núcleo caudado, putamen, globo pálido, etc e os fluxos de interligações da chamada cápsula interna com as circunvoluções cerebrais, lá onde ocorrem eventos hemorrágicos hipertensivos e consequentes hemiplegias alternas no lado oposto do corpo. Foi um processo mais intenso que mera evocação de imagens de ilustrações, uma espécie de emissão de presença dos próprios núcleos profundos evocados. Depois me surgiram as próprias circunvoluções cerebrais de modo vaporoso, mas substancial perto das imagens fantasmagóricas habituais. Não poderia afirmar qual região cérebro-glandular estava no centro de percepção dessas visões do imaginal, embora saiba por muitos artigos que a Pineal está envolvida em razão de sua secreção de Dimetil-Triptamina, esta molécula do Sonhar. 

Entendo que estamos num limite de civilização de controle que em por força de sua própria dinâmica contraditória entrou num 'momento angular'  de buraco negro. Então, Crise é Oportunidade, como referem os sábios taoistas nos alfarrábios ancestrais que nos chegaram nas vagas do Infinito Oceano do Sansara...




segunda-feira, 1 de maio de 2017

OBSERVADOR E SITER DURANTE A SESSÃO DE JUREMA - Vicente Medrano.


Observar, acompanhar, dar assistência, cuidar e amparar durante uma sessão de Jurema é um desafio que amplia a nossa percepção de fatos imponderáveis à percepção normal cotidiana.

Com o tempo e as sessões com pessoas de personalidade e estágios diversos, a gente começa a conectar Conhecimento na práxis pessoal com Jurema e a ação da Dimetil-Triptamina. Estou em processo de aprendizado de mim mesmo por meio de um aprofundamento perceptivo no Sistema Nervoso Central, do Cérebro, Coluna Nervosa, Sistema Nervoso Periférico e recentemente Sistema Respiratório-Cardíaco. Então aos poucos aprendo a acompanhar as reações e antecipar desafios e perigos que decorrem do efeito Jurema na individualidade de cada pessoa. E tudo interfere e cada pessoa em contato com outra é uma variável que altera a sessão e os cuidados a serem administrados. Duas pessoas íntimas na sessão se comportam como Uma em reações e inter-reações. Doses e densidades do Vegetal alteram o sistema de foças na sessão. 

Buscar ser impecável na assistência com Jurema é fundamental variável na resultante da sessão. Servir Jurema como fonte de Conhecimento e Libertação do espírito opressor do mundo, isso faz diferença no processo. Muitas vezes, conforme a pessoa, doses por mililitros já serão suficiente pra depurar a carga densa e depressiva que uma pessoa pode estar sofrendo de antemão, não havendo necessidade da ANSIEDADE de resultados notáveis e psicodélicos! Pode ser o suficiente para uma sessão de ampla repercussão na psique emocional e intelectual, pode inspirar por exemplo músicas de introspecção e meditação que a pessoa jamais conseguiria por si mesma em estado habitual ouvir e se silenciar. Ela pode perceber quando o EGO ansioso reduz a PRESENÇA do Além-Ego, o além-que-presencia-o-silêncio-em-atenção EMERGE! Isso basta demais e ficará estável na pessoa com repercussões a longo prazo e numa próxima sessão com Jurema!

As vezes uma sessão com certa pessoa inicia sem maior evidência, ela decide ficar sentada aguardando, então fica presa ao lugar e aprendendo durante horas do dia, então o organismo sofre com  a imobilidade e o frio, e a coordenação de intento me faz por exemplo modificar o rítmo de uma sessão de músicas, ou acender uma pequena fogueira pra aquecer e iluminar, ou erva odoríferas que atraiam a consciência e a percepção pra fora do âmbito que a pessoa esteja mergulhada, e subitamente o frio se torne consciente e haja uma regressão pra sensações da infância e percepções/aprendizado de perigos e desafios que na primeira parte não surgiram! Tudo depende demais da sensibilidade e do momento! Pode ser que numa emergência de pânico um ponto terra ou madeira de acupuntura seja bastante estabilizador para o sonhador em transe. Claro que isso precisa ser combinado com antecipação. 

Outra pode seguir o conselho de ficar andando e contemplando até o efeito de Jurema e da atividade na PINEAL se tornar intensa a ponto de desejar sentar-se pra Sonhar-Acordado. São lapsos atemporais, demorados do ponto de vista do sonhador, e que pode ter se passado apenas poucos minutos em termos de tempo! Uma vela acesa com cuidado devido, pode dar uma noção de tempo transcorrido ao sonhador quando ele/ela desperta do Sonhar...


Em geral a sensação de embriaguez faz oscilar, por efeito da  substância ativa de Jurema sobre o comando do Cerebelo... (vinho-das-almas!), mas em geral a pessoa por si mesma sabe se colocar no espaço sem perigo de quedas. Inclusive por receber comandos internos de cuidados e perigos, como estar perto de superfícies de água ou da chama do fogo! Mas é de bom alvitre o Siter estar de prontidão, embora ISSO também esteja sob jurisdição do PROCESSO além da vontade pessoal, compondo a sessão como um todo! Por ISSO também busco a intenção de evocar a providência da sessão em nome de Cristo Libertador, o arquétipo presente nos recessos das camadas da faixa central da Consciência Humana! Cristo Amparador/ Inciador dos que estão a-caminho na busca da existência plena e integrada! Sem Cristo estaremos à mercê do imprevisível e implacável! A luz canalizadora de Cristo na figura de Myriam de Mágdala ( pelo canal Jurema)  intercede pelo par dual arquetípico Mãe/Pai em nosso inconsciente infantil, assim nos abrindo o intercâmbio Filho/Filha arquetípicos.



 De qualquer modo teremos de passar por um longo e tortuoso, perigoso e desafiante caminho de integração, mas Em Cristo nossos movimentos na Espiral do UM  Atemporal terá um centro Humano e não irá longe demais nas faixas laterais radicais e nas profundezas de abismos inumanos, mergulho nos quais sem o farol de Cristo certamente poderemos ser coagidos e atraídos em redes e teias de atração irresistível ao ego-agregado. Como insistia D. Juan no livro de C.C. PORTA PARA O INFINITO e na descrição de Carlos Castaneda: Tive sensação de ser lançado, de girar e cair numa velocidade tremenda. Aí explodi. Desintegrei-me. Alguma coisa em mim cedeu, que estivera trancada a vida inteira. Não havia mais a doce unidade chamada eu... Não havia nada e no entanto este nada estava cheio até a borda. (...) Eu era milhares de eus que eram eu, uma colônia de unidades separadas que tinham lealdade especial umas às outras, que se uniriam inevitavelmente para formar uma única consciência, a minha consciência humana. (...) A solidariedade inquebrantável de minhas inúmeras consciências, a lealdade dessas umas com as outras era a minha força vital. 

Em Cristo-Molde-do-Homem nossa força vital se torna auto-ressurgente em meio à morte da dissolução do agregado Eu humano/ Um tudo-nada... Sabemos que o Todo UM encerra a totalidade indissoluta e incognoscível diante da qual somos sugados inapelavelmente por não sermos capazes de nos distinguir e perceber dissociados da Coisa-Em-Si... Somos enfim UM diante do espelho que nos forneceu sementes de nossos eus... Os antigos gnósticos e alquimistas da profundeza tinham um arquétipo desse UM monstruoso e inconceituável: Abrasax/ Abraxas! No livro de Carl G Jung, Sete Sermões aos Mortos está uma ilustração dessa quimera avassaladora origem de toda existência viva e inanimada, orgânica e inorgânica. Por isso alguém que faça o canal de intercessão e siter numa sessão, precisa estar conectado com Cristo-Molde-do-Homem para ser ponte de retorno ao calor Humano da existência aqui-agora.



SE alguém estiver enxergando um vislumbre da ÁGUIA dos antigos Toltecas neste Galo Implacável de Briga, não estará longe da intuição holística que busca unir as polaridades e antípodas- luz/trevas, vida/morte, bem/mal, feminino/masculino, criador/criatura, interno/externo, nada/tudo, parte/todo,  num símbolo arquetípico do SELF onde o Humano é um agregado especial de feixes de emanações do todo.



Postagem ainda em andamento por Vicente Medrano.