OBSERVADOR E SITER DURANTE A SESSÃO DE JUREMA - Vicente Medrano.
Observar, acompanhar, dar assistência, cuidar e amparar durante uma sessão de Jurema é um desafio que amplia a nossa percepção de fatos imponderáveis à percepção normal cotidiana.
Com o tempo e as sessões com pessoas de personalidade e estágios diversos, a gente começa a conectar Conhecimento na práxis pessoal com Jurema e a ação da Dimetil-Triptamina. Estou em processo de aprendizado de mim mesmo por meio de um aprofundamento perceptivo no Sistema Nervoso Central, do Cérebro, Coluna Nervosa, Sistema Nervoso Periférico e recentemente Sistema Respiratório-Cardíaco. Então aos poucos aprendo a acompanhar as reações e antecipar desafios e perigos que decorrem do efeito Jurema na individualidade de cada pessoa. E tudo interfere e cada pessoa em contato com outra é uma variável que altera a sessão e os cuidados a serem administrados. Duas pessoas íntimas na sessão se comportam como Uma em reações e inter-reações. Doses e densidades do Vegetal alteram o sistema de foças na sessão.
Buscar ser impecável na assistência com Jurema é fundamental variável na resultante da sessão. Servir Jurema como fonte de Conhecimento e Libertação do espírito opressor do mundo, isso faz diferença no processo. Muitas vezes, conforme a pessoa, doses por mililitros já serão suficiente pra depurar a carga densa e depressiva que uma pessoa pode estar sofrendo de antemão, não havendo necessidade da ANSIEDADE de resultados notáveis e psicodélicos! Pode ser o suficiente para uma sessão de ampla repercussão na psique emocional e intelectual, pode inspirar por exemplo músicas de introspecção e meditação que a pessoa jamais conseguiria por si mesma em estado habitual ouvir e se silenciar. Ela pode perceber quando o EGO ansioso reduz a PRESENÇA do Além-Ego, o além-que-presencia-o-silêncio-em-atenção EMERGE! Isso basta demais e ficará estável na pessoa com repercussões a longo prazo e numa próxima sessão com Jurema!
As vezes uma sessão com certa pessoa inicia sem maior evidência, ela decide ficar sentada aguardando, então fica presa ao lugar e aprendendo durante horas do dia, então o organismo sofre com a imobilidade e o frio, e a coordenação de intento me faz por exemplo modificar o rítmo de uma sessão de músicas, ou acender uma pequena fogueira pra aquecer e iluminar, ou erva odoríferas que atraiam a consciência e a percepção pra fora do âmbito que a pessoa esteja mergulhada, e subitamente o frio se torne consciente e haja uma regressão pra sensações da infância e percepções/aprendizado de perigos e desafios que na primeira parte não surgiram! Tudo depende demais da sensibilidade e do momento! Pode ser que numa emergência de pânico um ponto terra ou madeira de acupuntura seja bastante estabilizador para o sonhador em transe. Claro que isso precisa ser combinado com antecipação.
Outra pode seguir o conselho de ficar andando e contemplando até o efeito de Jurema e da atividade na PINEAL se tornar intensa a ponto de desejar sentar-se pra Sonhar-Acordado. São lapsos atemporais, demorados do ponto de vista do sonhador, e que pode ter se passado apenas poucos minutos em termos de tempo! Uma vela acesa com cuidado devido, pode dar uma noção de tempo transcorrido ao sonhador quando ele/ela desperta do Sonhar...
Em geral a sensação de embriaguez faz oscilar, por efeito da substância ativa de Jurema sobre o comando do Cerebelo... (vinho-das-almas!), mas em geral a pessoa por si mesma sabe se colocar no espaço sem perigo de quedas. Inclusive por receber comandos internos de cuidados e perigos, como estar perto de superfícies de água ou da chama do fogo! Mas é de bom alvitre o Siter estar de prontidão, embora ISSO também esteja sob jurisdição do PROCESSO além da vontade pessoal, compondo a sessão como um todo! Por ISSO também busco a intenção de evocar a providência da sessão em nome de Cristo Libertador, o arquétipo presente nos recessos das camadas da faixa central da Consciência Humana! Cristo Amparador/ Inciador dos que estão a-caminho na busca da existência plena e integrada! Sem Cristo estaremos à mercê do imprevisível e implacável! A luz canalizadora de Cristo na figura de Myriam de Mágdala ( pelo canal Jurema) intercede pelo par dual arquetípico Mãe/Pai em nosso inconsciente infantil, assim nos abrindo o intercâmbio Filho/Filha arquetípicos.
De qualquer modo teremos de passar por um longo e tortuoso, perigoso e desafiante caminho de integração, mas Em Cristo nossos movimentos na Espiral do UM Atemporal terá um centro Humano e não irá longe demais nas faixas laterais radicais e nas profundezas de abismos inumanos, mergulho nos quais sem o farol de Cristo certamente poderemos ser coagidos e atraídos em redes e teias de atração irresistível ao ego-agregado. Como insistia D. Juan no livro de C.C. PORTA PARA O INFINITO e na descrição de Carlos Castaneda: Tive sensação de ser lançado, de girar e cair numa velocidade tremenda. Aí explodi. Desintegrei-me. Alguma coisa em mim cedeu, que estivera trancada a vida inteira. Não havia mais a doce unidade chamada eu... Não havia nada e no entanto este nada estava cheio até a borda. (...) Eu era milhares de eus que eram eu, uma colônia de unidades separadas que tinham lealdade especial umas às outras, que se uniriam inevitavelmente para formar uma única consciência, a minha consciência humana. (...) A solidariedade inquebrantável de minhas inúmeras consciências, a lealdade dessas umas com as outras era a minha força vital.
Em Cristo-Molde-do-Homem nossa força vital se torna auto-ressurgente em meio à morte da dissolução do agregado Eu humano/ Um tudo-nada... Sabemos que o Todo UM encerra a totalidade indissoluta e incognoscível diante da qual somos sugados inapelavelmente por não sermos capazes de nos distinguir e perceber dissociados da Coisa-Em-Si... Somos enfim UM diante do espelho que nos forneceu sementes de nossos eus... Os antigos gnósticos e alquimistas da profundeza tinham um arquétipo desse UM monstruoso e inconceituável: Abrasax/ Abraxas! No livro de Carl G Jung, Sete Sermões aos Mortos está uma ilustração dessa quimera avassaladora origem de toda existência viva e inanimada, orgânica e inorgânica. Por isso alguém que faça o canal de intercessão e siter numa sessão, precisa estar conectado com Cristo-Molde-do-Homem para ser ponte de retorno ao calor Humano da existência aqui-agora.
SE alguém estiver enxergando um vislumbre da ÁGUIA dos antigos Toltecas neste Galo Implacável de Briga, não estará longe da intuição holística que busca unir as polaridades e antípodas- luz/trevas, vida/morte, bem/mal, feminino/masculino, criador/criatura, interno/externo, nada/tudo, parte/todo, num símbolo arquetípico do SELF onde o Humano é um agregado especial de feixes de emanações do todo.
Postagem ainda em andamento por Vicente Medrano.





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