sábado, 30 de setembro de 2017

Sessão com Jurema em ambientação natural diante do fogo.

por Vicente Medrano

Beber Jurema pra mim é uma questão de combinação de questões, oportunidade e indicação do Espírito, por mais sutil e subjetivo que isso possa parecer. Eu havia provado da Jurema em alguns poucos contextos, e sinto melhor disposição distante de vizinhança, gente complicada e contextos umbandistas ou correlatos, e nesta fase de Iniciação, a solo mesmo. Assim não se mistura os ´corpos energéticos´que a Jurema abre os portais e frequências correlatas, como pelo geral mais densas e complicadas. O mundo anda vacilando em abismos, mas basta nos voltar em consideração aos tempos passados, estamos apesar dos pesares no melhor dos mundos alcançados, com baixos tremendos e altos magníficos. Só o ato de liberdade de beber uma planta de poder sem ser considerado algo satânico pelos donos da verdade, rr... ou não ser caso de polícia é algo espantoso. Diria parodiando Voltaire, posso não seguir o teu exemplo, mas defenderei o direito de fazeres o que te apraz, desde que não firas o direito de quem não te segue...

Armei a barraca ao cair da tarde e já escurecia quando comecei a tomar a bebida preparatória, a Arruda Síria, que inibe a enzima amino-oxidase, e que permitirá que a Dimetil-Triptamina(DMT) da Jurema(Mimosa hostilis) atue nos chacras superiores e glândula pineal, segundo consta na literatura. Tenho o cuidado de ir tomando aos poucos e perceber a transição de um estado a outro, até que vem a 'onda' e o tempo como que pára no aqui e agora, cada momento desligando-se do antecedente, tal como uma criança pequena percebe o mundo. 


Preparei o fogo aos poucos no escuro do início da noite, sentindo os efeitos meio embriagadores da Arruda e da Jurema agindo. Já sentia cada vez mais um alheamento das preocupações anteriores, e uma maior integração com o fazer, a sensibilidade de contato com a madeira da mata, o brilho do fogo, os ruídos da noite, as sombras do lugar. A náusea é mais intensa com o sabor de Jurema, e faz parte de seu efeito modificador da consciência, enquanto que o odor da Arruda é mais nauseante a meu parecer. Os chacras do abdome reagem forte com estas bebidas de tanino (como a Ayuhaska) e isso ativa a ascensão da kundalini pela rota do canal funcional anterior, possivelmente seguindo rumo ao chacra da garganta (deixamos de ser capazes de falar) e frontal (percebemos mais o contexto pelo silêncio integrado, e não analisado) até o chacra Pineal (mergulhamos em lapsos de sonhos acordados com visões que nem sempre relembramos).


Na Percepção Extra-Sensorial (PES) Natural (N) o pulso de onda inicia no Chacra Cardíaco e segue pelo Frontal até o Pineal e retorna pelo ramo interno. Com dedicação e perseverança a PES Natural se inverte na PES Mental (M) o pulso parte do Pineal, segue pelo Frontal e adentra pelo Cardíaco, retornando à Pineal pelo ramo interno.

Eu estava com uma questão á frente dessa sessão de Jurema. Busquei então me centrar na questão na medida que ia tomando aos goles e gradualmente a bebida. Foi então que a visão do fogo e das brasas foram me respondendo possibilidades relativas á questão. O fogo escasseando, as brasas me diziam que juntas elas se mantinham aquecidas e vivas, o calor de uma aquecia a outra contra o frio da escuridão. Essa imagem parecia ser a resposta à questão do relacionamento humano entre semelhantes no caminho do Guerreiro e do Divino Mestre, como Iéshoua nos recorda sempre em João e no evangelho de Tomé e Maria Madalena, descobertos em papiros no Quinrã, Afeganistão. Quando Três ou mais estiverem em Meu Nome, estarei entre eles, e se tornarão Um... E entre os sexos polares e complementares existe a ponte do sexo que só pode ser atravessada, mesmo com constante dificuldade,  pelo caminho tântrico, pois pelo caminho natural a ponte costuma desabar em pouco tempo. Ao reanimar o fogo, busquei ver que 'demônio' ou força escura dominadora estava por trás da pessoa que estava tentando apreender no Conhecimento. Eu não tinha consciência que estava buscando Ver a Aura e/ou Casulo desta pessoa em questão. Talvez pela pouca ingestão de Jurema ainda, eu chegava apenas a ver como que a fumaça subindo do fogo na noite entre as árvores da mata, e parecia um tanto perigosa, mas era de real poder. Tinha que considerar este 'demônio' como participante dessa pessoa e entraria em minha (e nossa) vida se fosse atraído e a porta aberta. Se tivesse de entrar, que fosse pela porta estreita e áspera do Caminho do Divino Mestre e do Guerreiro da Liberdade. Afinal, todos temos os demônios em nossas profundezas, e alguns não tem consciência e se identificam com tais forças a ponto de serem uma personalidade amalgamada ou várias personalidades fragmentadas. Em geral a mulher tem estas personalidades fragmentárias por conta de agressões ou abusos á sua integração desde a infância. 



Decidi ir me sentar à cadeira próximo da vela enquanto o fogo se apagava, e lapsos de sonhos me envolviam crescentemente, mas não conseguia por atenção sonhadora nos conteúdos dos sonhos. Decididamente não havia tomado o suficiente Jurema a ponto de sentir a "onda" me atingindo e o tempo se tornando estacionário ou pontual... Mas como é noite, não me sentia disposto a ir além e a náusea também me desestimulava. No entanto eu sabia que Jurema estava me ensinando gradualmente a atingir por mim mesmo estados alterados de consciência, a abrir canais de PES, como os referidos acima no diagrama dos chacras. Aos poucos achei que era melhor me recolher e tentar conciliar o sono dentro da barraca, embora temesse que o excesso de yang à cabeça pela bebida de Jurema me impedisse o sono à larga. Mas não foi o que sucedeu, e realmente entrei em sono mais ou menos profundo e acordei ao clarear a manhã.






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