quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TANTRA e INTENTO, uma visão sincrética entre tolteca e Cristo


TÁ AÍ um sentimento que em geral passa despercebido pela imensa maioria das pessoas, especialmente pelas mulheres(claro, isso é polêmico, tá?):  A SENSAÇÃO ORGÁSTICA, SUAS PRIMÍCIAS E PLENO DESENVOLVIMENTO PRECISA SER INTENTADA. O quê? Mas o que é isso? Intentada? É uma palavra que não tinha destaque no meu 'dicionário' pessoal antes de me aperfeiçoar e afeiçoar pela obra de Carlos Castaneda, o CC. Acontece que desde primeiro livro inaugural de CC, A ERVA DO DIABO, título que assusta os puritanos e medrosos em geral, D. Juan Matus, e depois sua trupe de artistas visionários da tradição tolteca, desenvolve a temática do intento em várias experiências comuns e extraordinárias, e define intento como a essência da magia(ou 'feitiçaria')como eles chamavam naquela época. Apesar de CC pressionar D.Juan a uma definição racional de intento, o velho nagual prometéico acabava gerando uma tautologia: intentar se aprende intentando...(O Poder do Silêncio). Por exemplo, para ter a percepção de um gigante é necessário se sentir um gigante e intensificar esta sensação durante uma situação também intensa, num contexto que exija sermos 'gigantes'. É. Não é mole não. Poucos se arriscariam a vivências intensificadas porque a comodidade faz parte, em princípio, de nossa cultura sedentária. Sento na poltrona e ligo os controles do tal Theatre Home e uma máquina holográfica me faz sentir-me gigante nos Himalaias... Depois tudo volta ao estado pigmeu de antes. O cinema tem esta magia da grande tela e, se o filme me projeta além de mim e tem um roteiro sem contradições, saímos para fora pairando naquela magia intentada pela história, inclusive tendo vários insights, que se diluem na lanchonete do Mc Donalds. Viu como o contexto nos conduz? No processo turbilhonante de um orgasmo qual a direção e o sentido da intensidade orgástica? Se alguém pedir a uma mulher logo após um orgasmo satisfatório, enquanto ainda sente as ondas orgásticas, para descrever, talvez ela possa dizer assim: ah, eu sinto a energia subir, subir, e se espalhar pela minha face, cabeça, peito, braços, corpo inteiro, e depois se descarregar pelos genitais. Mas se alguém insistir que é possível além disso, intencionar um outro sentido e direção para a onda orgástica e não apenas se repita a mesma sensação anterior mas adicione uma nova, tal como dirigir a onda energética para seus olhos, boca, céu da boca, língua, coração e profundezas do cérebro, respiração e assim em diante, até onde ousa sua criatividade e consciência, a percepção será intensificada orgasticamente nesta direção e o sentido do orgasmo se ampliará. Se ela achar interessante a proposta, se encarar a possibilidade com toda sua atenção e dialogar com suas resistências, mesmo que não dê certo nas primeiras tentativas orgásticas, o intento direcionará uma ampliação do sentido e direção da onda orgástica, por isso D. Juan está certo: intentar se aprende intentando. Mas a imaginação ajuda? Sim, se for guiada pelo intento. Orar ajuda intentar? Sim, se não for aquela reza repetitiva e moldada em palavras e rituais mecânicos. Uma prece que nasce do coração-mente da criança eterna em nós. D. Juan aconselhava o poder das palavras em voz alta quando estivermos intentando no processo, porque o simples pensamento não tinha a força nem a magia por causa do diálogo interno monótono e repetitivo, coisa que nosso ego-mundo cultural é  pródigo em produzir a todo momento. D. Juan dizia até que esta força que nos domina cotidianamente e nos leva a pensar-agir-sentir em conformidade com o mundo e nossas sensações mesquinhas e infantis era, segundo viam os videntes toltecas, um hábil predador enrustido em nossa energia-consciência. Ele chamava 'instalação forânea', denominação rebuscada para tirar um sarro do academicismo estereotipado de CC  e da prepotência acadêmica em geral. Esta descrição está no último livro publicado de CC, O Lado Ativo Do Infinito(todos da ed. Nova Era). 

Er, bem, mas e o homem? É semelhante mas com uma grande complicação. A complicação anatômica, a de que no homem o órgão de prazer fálico compartilha com a uretra vesical o mesmo trajeto, diferente do complexo genital (YONI, no termo tantra)feminino que tem clítoris, uretra e canal vaginal, além dos seios mamilados desencadeadores de orgasmos. Além disso cabe ao elemento masculino, o macho, o papel de fecundador pela ejaculação, e com isso, o condicionamento genésico e cultural atrelou o prazer à ejaculação-descarga, e a psicologia do macho gira muito em torno desse processo atávico dos ancestrais. Mesmo que um homem saia desse papel concentrador no falo e consiga ultrapassar, ou melhor, intentar um orgasmo mais pleno e satisfatório semelhante ao comentado acima à mulher, o esvaziamento ejaculatório fá-lo-á cair das alturas do clímax orgástico ao mais profundo vale nebuloso de percepção, um amortecimento rançoso seguirá, e não são poucas mulheres que se ressentem da indiferença masculina após o coito, pois como já se disse. o homem é um animal triste após o coito. Ah, bem . tem diferenças entre homens, se jovens, se obcecadões, tarados e tal, como diz W.Reich na sua tipologia de caráter: existem reações de caráter fálico-narcisistas, obsessivo-compulsivos e similares que concentram tanta energia na posse e ostentação fálica que suportam por muito tempo esta condição debilitante, mas no conjunto de sua psique e vida terão de conviver com um vazio e mesquinhez existencial, sintomas neuróticos e neurastênicos crescentes à medida que a INSISTENTE E IMPLACÁVEL IDADE ir avançando, então o poder fenece e há de comer o pó que levantou na estrada... Aliás, D. Juan tirava sarro de CC, e dizia que a natureza do poder é tal que sem poder um homem fica decrépito e barrigudo em pouco tempo... E mais, em vários livros o velho bruxo sábio afirma que nossa energia original e decisiva era a SEXUAL, que era fundamental ESTANCAR a drenagem da energia no homem evitando sexo debilitantes SE o homem desejasse ir além de seus limites humanos normais, sair da normose consensual em que estava aprisionado. Mas acho que os toltecas não alcançaram a percepção de que a ALTERNATIVA TANTRICA era uma possibilidade de não somente impedir a drenagem da energia e manter o relacionamento sexual, mas INCREMENTAR E AMPLIAR a energia como um todo, ou mesmo fazê-la girar numa órbita microcósmica, como ensinava os taoistas, ou elevá-la como uma onda Kundalínica ao alto do polo cefálico como o Tantra kundalínico ensinava. Aliás, acho que a solução taoista evita a fixação energética excessiva no polo cefálico e a obsessão sexual que causa a intensificação da energia nas gônadas. Homens limitados em visão e ainda em processo de depuração cármica (do lixo acumulado pela humanidade presente na energia sexual,) acabam sendo vítimas e algozes de outros, se não tomarem cuidado com os excessos e não virem o limite entre praticar e abusar. Ele pode se sentir superior aos 'outros' e achar que os fins justificam os meios.Ou seja, afundou na ilusão da separatividade e pior, se lambuzou. 

Por isso é preciso conceber durante o processo da intensificação tântrica um Poder Superior ao Ego, mas um poder que alie humanidade, amor, compaixão, poder e transcendência, que interligue as dimensões e amplie o ser pelo amor e não por rituais obsessivos: acho que Ieshua-Jesus, o arquétipo do self realizado em Cristo, é a referência maior desse poder superior e protetor dos extremos a que estamos expostos na caminhada pela totalidade diante da morte. Veja bem: não estou nem de leve insinuando que seja uma decisão e um comportamento fácil, antes, É O MAIS DIFÍCIL E DIALÉTICO, SENÃO PARADOXAL, CAMINHO PESSOAL DE UM HOMEM, até porque  ninguém se realiza sozinho no caminho tântrico nem no caminho da espiritualidade, e terá que se haver com a totalidade a cada passo, pois o cosmos é holocentrado e unificado e está atuante em cada um de nós e cada parcela do universo, é só esperar pra ver, camada por camada virá esta complexidade se assomar adiante e a realidade mostrar todo seu 'lado ativo de infinito', sua garra de Àguia(como viam os toltecas a imagem da totalidade), seus esporões, chicote e presas como o símbolo alquimico do deus ABRAXAS, donde irradia todo mal e todo bem segundo os gnósticos. 


Mas tudo começa com o primeiro passo, intentar e passo a passo desdobrar o intento na práxis , ou seja, no envolvimento holístico com a existência, então o conhecimento dos antigos e as vivências do presente se tornam acessíveis apesar de virem emboladas com forças negativas e contraditórias, sabendo que tudo é um se nos holocentramos em Cristo, o arquétipo do self encarnado. Muitos disseram que tudo é um, mas raros deram sua vida e sangue para se tornarem o caminho e o faról do fim do mundo para muitos. Quer dizer, para aqueles que se reconhecem nele e não ficam confiando em ídolos religiosos alienantes. Apesar do que escrevo, estou longe de taxar a igreja como dispensável para a massa, é uma necessidade para conter a boiada diante dos instintos e forças atávicas do inconsciente e do lado escuro do cosmos, gerar culpa e submissão, um sucedâneo da existência plena projetada no além-morte, recompensas futuras por bom comportamento e tal. Alguém acredita que não existam tais forças contrárias e definitivamente predadoras do ser humano? Existe algo no universo que não exista em relação ao todo e não necessite da energia como seu alimento?

JÁ ouvi de alguns que uma referência a Cristo em relação a obra de CC é uma concessão suspeita que não teria sentido. Posso responder que SENTIDO é função do INTENTO, e inclusive o intento que os videntes da tradição tolteca professavam acabava por eliminar Cristo como uma referência, em razão dos assaltos que a religião católica e protestante realizaram em conjunto com os Conquistadores. No livro O PRESENTE DA ÁGUIA , onde é apresentado o REGULAMENTO DO NAGUAL é referido por CC uma presença extraordinária de luz pacificadora nos deslocamentos do Ponto de Aglutinação da Percepção que os visionários toltecas identificam como o Molde do Homem, tão somente um refúgio de restituição na viagem infinita do Ponto de Aglutinação. e que D,Juan Matus, nagual e bemfeitor de C.C, insistia que nossa formação cristã identifica o Molde como Cristo, mas que seria apenas ´um molde´sem poder... Não entendo nem sinto assim. A formação religiosa estereotipada e teológica ensina um ícone sem poder de transformação integral e mais de submissão a autoridades que supostamente falam em seu nome como representantes abnegados. Bem longe da perspectiva holística e arquetípica que um Carl Gustav Jung e colaboradores fizeram emergir dos estudos do Self nas culturas do mundo, e assim abriram a chave de interpretação dos registros dos evangelhos e textos apócrifos sobre Cristo e o cristianismo de raiz, inclusive suas ressonâncias míticas e arquetípicas. E cada vez mais temos uma superação da teologia cristã religiosa para uma pós-teologia cristã arquetípica, como nos estudos de Jean-Ives Leloup (Jesus e Maria- Para os Puros Tudo é Puro, onde busca explicitar as relações íntimas entre Iéshoua e Myriam de Mágdala), Bart D. Ehrman (Quem Jesus Foi? Quem Jesus Não Foi?), Leonardo Boff (Evangelho do Cristo Cósmico- A busca da Unidade do Todo na Ciencia e na Religião), Brian D McLaren ( A mensagem secreta de Jesus), Matthew Fox (A Vinda do Cristo Cósmico- A cura da mãe terra e o Surgimento de uma Renascença Planetária), A. Leterre (A vida oculta e mística de Jesus- As chaves secretas do Cristo), Geza Vermes (As Varias Faces de Jesus), Tom Harpur (O Cristo dos Pagãos), e o filme de Martin Scorsese A Última Tentação de Cristo. Neste sentido o Molde do Homem nos projeta pra além de um refúgio, antes uma porta estreita que poucos e raros alcançam e encontram a transcendência Holística do Humano na faixa central da Humanidade, presente no casulo/concha energético consciencial possível ao ente humano...

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