sábado, 23 de fevereiro de 2013

UM TURBILHÃO CONTÍNUO ou TUDO QUE É SÓLIDO SE DESMANCHA NO AR...

7 BILHÕES DE HABITANTES NO PLANETA: desigualdades sociais que resultam em miséria para uns e riquezas de outros, migrações rurais dentro e fora de países. No artigo da resista FILOSOFIA n 4, ed. Escala, Diana Medeiros, resume o livro que sacudiu Nova Iorque em 1982, de Marshall Berman, TUDO QUE É SÓLIDO SE DESMANCHA NO AR, onde a Modernidade é uma experiência compartilhada por homens e mulheres do mundo todo, um turbilhão que envolve o indivíduo pelo clamor desenvolvimentista e revolucionário da sociedade moderna, um espírito que já era percebido por autores pré-modernos como Rousseau. Ele defende que as mais sólidas convicções do ser humano estão fadadas a sumir, a serem sucessivamente substituídas, em um ciclo que acompanha o homem desde os primórdios da humanidade. 

Modernidade é um projeto empreendido em diversos momentos ao longo da Idade Moderna e consolidado com a Revolução Industrial. Está normalmente relacionado como o Capitalismo mas com raízes bem anteriores. A Modernidade tem seu embrião no Renascimento com o surgimento da Ideia Humanista, mas no advento da burguesia na Revolução Francesa é que a revolução moderna se estabeleceu em todos os âmbitos da vida cotidiana. Fenômeno que se caracteriza pela mudança ininterrupta e incerteza constante,pelo turbilhão paradoxal de construção e destruição da vida moderna em grandes centros urbanos. Viver a modernidade é arriscar-se ao perigo de enfrentar o novo, o inseguro. È viver a possibilidade da aventura, do poder, da alegria, da auto-transformação e transformação das coisas ao redor. Ao mesmo tempo lidar com a destruição de tudo o que se tem, se sabe e se é, inclusive contestando algumas das realidades mais palpáveis  da modernidade, ou seja participação crítica portanto.

O turbilhão na vida moderna é alimentado por muitas fontes, desde grandes descobertas científicas, industrialização da ´produção, a explosão demográfica e a globalização, entre outros fatores. Me parece esquisito que no artigo citado se tenha relevado a importância da acelerada velocidade mediada pelo chips em todas as áreas da vida, do carro às comunicações, com produção de computadores com velocidade exponencial assim como acontece com a explosão demográfica. A modernidade anunciou o triunfo da Razão e a construção de um novo mundo de costas para o  passado medieval, contra os valores morais e teológicos predominantes na Idade Média. A modernidade despontou como uma utopia positiva, com a promessa de novo alento à humanidade. A idéia de ordem e progresso disseminou a ilusão de que os homens finalmente caminhavam em direção à felicidade e à liberdade. Não por acaso cunhou-se o termo iluminismo . Os filósofos das luzes pretendiam iluminar as "trevas" da medievalidade, e confiavam exclusivamente na Razão. Esse positivismo resultou em uma tendência a eliminar do mundo tudo que não é considerado moderno. Ou seja, o espírito imperialista domina o homem moderno e inige a coexistência de outras formas de pensamento. Assim não é contraditório a modernidade promover duas grandes guerras mundiais e entra no novo milênio proclamando sua suposta liberdade calcada no mundo virtual, que mais me parece uma metáfora madura da Modernidade. 

Diz-nos o filósofo Antônio Ozai da Silva, do Núcleo de Estudos de Ideologia e Lutas Sociais(NEILS-PUC), a modernidade anunciou o triunfo da Razão, representou a substituição do comando medieval impondo a racionalização do processo de produção, a impessoalidade nas relações e a dominação das elites, que buscam moldar o mundo ao seu pensamento, através da conquista de novos mercados, pela organização do comércio, a produção fabril e a colonização. Como escreveu Berman, o homem moderno vive sob o redemoinho de permanente mudança e renovação, de luta e contradição. de ambiguidade e angústia. Inclusive  temos a sensação de perdemos os valores fundamentais que dão coesão à vida em sociedade, a impotência diante do Estado e dos processos democráticos e políticos. A única certeza e meta que parece permanecer desde o princípio da modernidade é a evolução contínua, a busca da melhora ou do sucesso... 

Marx e Nietzsche e seus contemporâneos tiveram de agarrar com toda sua força o controle sobre a ambiguidade em todos os momentos de seu cotidiano para que pudessem sobreviver ás transformações ao seu redor. E o único pensador da década passada que tinha algo novo e pertinente a dizer sobre a modernidade foi Michel Focault, cujo pensamento defendia que não há liberdade individual dentro da moderna humanidade. Se nós pensamos que sentimos um espontâneo impulso de desejo sexual, Focault explica que estamos apenas sendo movidos pelas modernas tecnologias do poder que tomam a vida como objeto. Neste ponto vai surgindo a visão terrificante da Matrix tecno-ideológica com poderes de vigilância e punição incalculáveis, o processo maduro do controle da elite dominante que resultou do mata-mata histórico que impulsionou a modernidade. Surge também que decisões na estrutura piramidal do poder podem muito bem advir de comandos Illuminatis e outras ordens congêneres, sempre regados pelos abundantes rios de dinheiro, corrupção e poder. Mas se pudermos ver da perspectivas de nossos antepassados, nos deslocar em zig-zag do tempo deles(pelas leituras, filmes e outras modalidade de saber/sentir), concluiremos que há mais profundidade em nossas vidas do que supomos, veremos a imensa comunidade de pessoas em todo mundo enfrentando dilemas semelhantes aos nossos, entraremos em contato com uma cultura modernista complexa e vibrante que tem brotado das lutas críticas na modernidade. Acredito que nenhuma mulher em sã consciência gostaria de viver há 100, 200 ou 300 anos atrás, quanto mais na época medieval onde a Igreja Católico -Romana e Protestantes torturavam de formas inimagináveis e assavam vivas tantas 'feiticeiras'. Mas a luta da mulher pela emancipação ainda tem recuos em países ditos adiantados, como na Europa, quando se acha em movimento uma ideologia de repor a mulher dentro do lar e retornar a prover a família e a pátria de filhos, e isso com a superpopulação que alcançou o planeta! Mas isso faz desconfiar que existam propósitos de holocausto da população em andamento por trás dos bastidores, além das famigeradas guerras agora inseguras por causa da contaminação sem fronteiras das armas atômicas. Já ouviu falar em Chamtrails? Pulverizar a atmosfera e contaminar a população, a natureza que se lixe porque 'eles' acham que a recuperam... A lei Maria da Penha no Brasil é um avanço que veio aparentemente para ficar, após tanta barbárie encobertada pela lei e magistrados, e tolerada pela sociedade como um todo. Como conquistar uma nova relação homem-mulher que a cultura tântrico-taoista pode nos conduzir, e ampliarmos o insubstituível legado de Cristo com este novo relacionamento sexo-amoroso, distante do implacável e anacrônico patriarcalismo-machista do povo judaico e contaminado pelas admoestações misóginas contidas ou inseridas nas cartas de Paulo de Tarso?

Ser moderno, concluindo, é experimentar também a experiência social como um furacão mas também a experiência pessoal como um antídoto à perpétua desintegração e renovação da Modernidade. É sentir-se, de alguma forma, em casa, em meio ao redemoinho, fazer seu o ritmo dele, movimentar-se entre suas correntes em busca de novas formas de realidade, beleza, liberdade, justiça, permitidas pelo seu fluxo árduo e arriscado, entretanto resistir à invasão cotidiana dentro de nós e em nosso lar e trabalho, e insisto buscar alternativas nas culturas do planeta para resistir e auto-transformar-se, buscar nos sábios antigos e modernos nossa inserção na eternidade do aqui-agora, como nos ensina Sêneca em seu tratado Sobre a Brevidade da Vida, reservando tempo de ócio a desvelar o incognoscível em nós e em nossos semelhantes, o centro-self que Cristo nos encaminha, uma ponte arquetípica á totalidade em nosso ser coletivo, na união do Coração-mente da criança arquetípica e atemporal em nós, justamente aquela capaz da alquimia de nos transformar no fluxo da modernidade sem perder jamais a ternura. E como nos diz Ieshua-Jesus de João ao reticente Nicodemos, autoridade dos judeus: Eu afirmo que isto é verdade: ninguém pode ver o Reino dos Céus se não nascer de novo, se não nascer da àgua e do Espírito. O vento sopra onde quer, e ouve-se a sua voz mas não se sabe de onde ele vem nem para onde vai. A mesma coisa acontece com todos que nascem do Espírito... Eu diria mais, se não nascer também do sangue e do Coração-Mente de Cristo em seu centro-self.


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