sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

JUREMA: mestra e inciadora, parte II- Vicente Medrano

Esta foi a segunda vez que bebi do Vegetal Jurema, desta vez uma sessão pra valer. Enquanto da primeira vez foi um teste mascando e conhecendo Jurema, desta vez tivemos a chance em três pessoas pensarmos, avaliarmos e prepararmos o Vegetal durando cerca de 9 horas seguidas o preparo! E teria durado mais uma hora se tivéssemos decidido esfriar naturalmente e adicionar clara de ovo e ferver novamente depois de coado! uff..como já era tarde, cerca de uma da manhã não tivemos mais disposição, e como eu não tinha noção direito e certo do tempo que gastaria pra preparar, acabei iniciando por volta das quatro da tarde desse sábado, o que acabou se prolongando madrugada a dentro, e a minha sessão chegou até as cinco da manhã, durando cerca de 4 horas a MIRAÇÃO de forma mais intensa, e mais uma hora de forma mais amena.  Pretendo aqui registrar a minha vivência, e deixar detalhes de outras duas pessoas que estiveram junto, embora uma somente pode beber, mas todos tivemos importância no sucesso e intensidade da sessão, isso pra mim ficou evidente! A INTENÇÃO conta e bastante no sucesso de elevada vibração de frequência de Jurema.

APRENDIZ DE JUREMA

07/01/17

Tenho a impressão que um novo ano em sentido de novidade se iniciou no meu caso. Jurema inaugura um novo espírito nesta noite e madrugada de 2017, pois até agora eu estava no espírito do ano nauseado de 2016. Ficamos em três pessoas preparando e pensando os segredos do preparo de Jurema, e acabamos levando mais de nove a dez horas seguidas ao lado do fogão a lenha e outras providências! Jurema conseguiu a chance para que eu, também minha filha Carita e D..., estivéssemos trabalhando juntos em comunhão de esforços, numa tarde e noite iluminada e talvez única. Acho que Jurema nos uniu em propósito e espírito. Carita estava relutante em beber o Vegetal e realmente seguiu-se uma cistite justo nestas horas, de modo que decidiu não beber. D... estava disposto e entusiasmado, mas sentiu náuseas, e passado certo tempo que, segundo ele mesmo, teve dificuldade em assentar os pensamentos e imagens mentais, alcançando algum silêncio mental, ficando mais em contato com suas sensações, as náuseas ficaram intensificadas e teve de lançar fora o Vegetal, indo-se deitar, ainda na miração postergada de flashes coloridos acabou adormecendo. 

Quanto a mim permaneci sentado e com as palmas dos pés em contato com o chão, e foi bem acertado pois as náuseas reduziram, e assim ia trocando as músicas do aparelho conforme havia previsionado, e a seguir, na miração alternava as faixas conforme intuição do momento. Não dei importância à miração iluminada em si, mas sim na busca do conhecimento e questionamentos. Jurema me mostrou que é toda Luz em alta vibração, feminina e mestra, diferente de Ayuhaska, esta masculina e impositiva, talvez por estar dominada de forças de várias dimensionalidades que vibram em baixas frequências, cercada de trevas de perfídia e malevolência. Entretanto está referido em pesquisas de faculdade de nosso país que Ayuhaska aciona a capacidade de multiplicação de novos neurônios no cérebro , possivelmente em ambiente de laboratório,  e considero este dado mais relevante ainda com Jurema.

Minha associação pessoal de Jurema é com a mítica Myriam de Magdala, e isso me é benfazejo pois transmreuta a frequência vibratória de Jurema na Grande Mãe, Mater Natura, Magna Magister, aquela que é a confidente e consorte do Peregrino do Espírito na ponte do mundo, segundo frase preservada de dito de Iéshoua em agraphon ("O mundo é uma ponte. Não pare sobre ela. Atravesse-a."). Iniciadora e mãe nutridora, tanto a nível arquetípico da natureza geratriz quanto a nível da mulher co-participante do mistério sagrado, o portador do selo do Cristo-Espírito-sobre-a-ponte, mistério mítico que percorreu culturas e civilizações, realizado pelo Hassídico da Galileia. 

O mergulho no oceano de vibrações proporcionadas por Jurema são-me diretamente relacionadas em graus ainda de baixa intensidade com a percepção do ´oceano de ondas da Águia, segundo relatos nos livros de Carlos Castaneda (CC), mas sem que ainda no momento as coisas percam suas definições e limites, mais isso dependerá do quanto estamos abertos, intensificados e destravados a aprofundar o oceano de ondas vibratórias. De olhos fechados ou abertos, as vibrações se tornam intensas e rutilantes. A tela que eu acabara de pintar na noite anterior, irradiava e ao mesmo tempo recebia emanações vibratórias, e eram focalizadas no peito das figuras espatuladas em cores. Na imagem de Iéshoua, o pão e o peixe se transmutavam em asas diáfanas e estas, na sequência, se transformavam num livro de páginas abertas e luminescentes. Do peito de Myrian na tela, irradiava um farol de luz branca e pulsante!



Mesmo puxando uma manta sobre a cabeça, os compassos eletrônicos das músicas não se transformavam em figuras ameaçadoras com a obscuridade, exceto talvez em algum momento fugaz, uma imagem de serpente de luz tivesse me parecido ameaçadora. O aspecto mais relevante que me recordo foi decorrente da insistência em Aprendizado, que me fez surgir o desejo de aprender e me focar no Conhecimento de minha coluna nervosa. De inicio buscava me focar por vontade e iniciei na primeira vértebra lombar, mas não me ficava nítido e logo pulava pra coluna dorsal, sétima cervical e duas primeiras cervicais sagradas, acabando por desembocar na vastidão do interior do polo cefálico, onde vastas regiões surgiam em flahes. Mas a lição retornou ao início da coluna por insistência minha, temendo que ficasse kundalini presa no polo Yang que tanto ameaçou a lucidez de Gopi Khrisna, segundo relatos dele próprio em seu livro seminal. Desta vez a mestra da Jurema me foi mais presencial, indicou e insistiu que o aprendizado iniciasse do começo, e fez-me descer mais a percepção da coluna para o cócix, me mostrando que a coluna nervosa e vertebral principiava na coluna sacral e de lá deveria ser contada. Aprendi que as vértebras sacras eram ´cinco irmãs´, ao que me recordo, e com o quadril e pelve formavam o alicerce do corpo sobre a terra, a gravidade e a existência, bem com a virtude da base fálica no homem e em meu próprio corpo.
Realmente, minha coluna sacral e espaço pélvico-ilíaco ficava ficou iluminada e vitalizada sobre o assento da cadeira praiana em que me apoiava. Ficava difícil prender a atenção nas lições pela imposição das ondas e náuseas que me acometiam, de modo que prendi a pedra de cristal de rocha sobre o Dan-Tien abaixo do umbigo, inclusive porque as vibrações das músicas e ondas luminosas se tornavam frenéticas depois que encerraram as faixa do Vangelis que colocara rodar, e introduzira a sonoridade frenética do kundalini Meditation do Osho. Temi então a disparada da ativação kundalínica descontrolada, de modo que senti que era hora de reduzir a velocidade e mesmo me despedir com gratidão de Jurema. Nisso o galo das cinco da madrugada já cantava, procurei deixar em ordem a cozinha e a sala sob a luz da vela de modo que a atividade reduzisse a miração. No quarto busquei pontos terra da acupuntura pra poder rebaixar o Qi, reduzir-lhe a ´rebelião´ e me centrar no contato com o solo. Tive dificuldade em adormecer, permanecendo numa espécie de transe até me levantar pela 8 da manhã. 

Conclusão: A COLUNA nervosa e vertebral é o assento sagrado de toda rota de plenitude e libertação.


Como conclusão nos dias que se seguiram a esta e demais sessões, fica-me mais e mais evidente que a Coluna Nervosa e Vertebral é o caminho sagrado e régio de toda rota de ascensão e circulação de Qi e kundalini, sem a qual a libertação do cativeiro e o despertamento pro aqui-agora de nosso potencial oculto é impossível. É uma longa jornada dentro/fora de nós através do `mar escuro da consciência´, e quem cedo madruga mais cedo trabalha e tem os frutos. A coluna nervosa tem o poder oculto de nos despertar de dentro pra fora, desde cedo nosso cérebro é um recém-nascido, mas a coluna já nasce velha e sábia... pra nos movimentar de modo livre e espontâneo bastam algumas horas e poucas semanas, pra falar levarmos anos e concatenar um eu no córtex frontal, uns cinco ou mais anos... Então de repente, algo assumiu nossa mente e fomenta um turbilhão de barulho, desejos, emoções e distração. Fúria e Repetição vem-nos do mundo em nossa mente. Precisamos ir mais e mais fundo aqui-agora em nós, reecontrarmo-nos com nosso centro e face original. De cima pra baixo e de baixo pra cima, a partir de nosso centro Corpomental e Noético-espiritual. Na postura do morto, do Iõga, deixe-se permanecer em silêncio na obscuridade e sinta seu corpo e coluna sobre um tapete, busque se centrar apartir do Dan-Tien tres dedos abaixo do umbigo. Permita que sua respiração e sensações partam de sua coluna nervosa, tiques, movimentos, formigamentos, abalos musculares, a gaiola da couraça muscular e emocional é bastante travada. Solte-se sem pensamentos e preocupações, continue soltando a respiração de modo mais prolongado a expiração e um gemido mântrico. E então voce sera pela primeira vez observador passivo de sua própria manifestação autêntica e original...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

JUREMA - Sessão IV- sem adornos (por Vicente Medrano)

MESMO na dúvida , algo em mim decidiu tomar o Vegetal JUREMA, mesmo cansado do trabalho do sitio neste sábado, e mesmo temendo outras noites de insônia resultante do excesso de Yang no cérebro, pois uma força em mim acabou preparando as coisas para beber da Jurema. Desta vez não me vesti de branco, deixei a roupa habitual da noite, sem detalhes do sal, água, arroz e toalha branca na mesa de canto, apenas flores, ervas, pedras e vela branca acesa, tudo diante da tela de Iéshoua-Myriam. Imaginava por um CD  de meditação, mas acabou não sendo acionado. Tomei da Arruda Síria um copo e terminei o relato deste blog a respeito da última e penosa sessão sobre os ataques da Umbanda. As náuseas foram surgindo mas não me intimidaram, e havia jantado arroz e peixe deixando meu estômago forte. Depois de cerca de quarenta minutos, comecei tomar da Jurema aos goles, e aí sim o corpo tremeu como vara verde tentando rechaçar pinchando fora, mas acabou sendo o solavanco de ativação do organismo pela Jurema. Aos poucos fui tomando em pequenos intervalos o Vegetal, decidi me deitar sobre o tapete de sisal e me centrar com o cristal de ametista sobre o Dan-Tien abaixo do umbigo e permanecendo na ´postura de morto´do ioga. 


Minha intenção era permanecer no modo de aprendizado interno por meio da circulação da kundalini pela rota do Vaso Governador na Coluna e descer pela rota do Vaso da Concepção dos órgãos Zang-Fu (Glândulas, Pulmão-Coração e Vísceras). Como os dois vasos tem fluxo ascendente, neste caso descer é um desafio especial de contra-corrente que percorre os órgãos internos já referidos, entretanto, no relaxamento em que pretendia ampliar a percepção do campo energético, advieram-me gradualmente um estado de sonhar com imagens luminosas complexas e fugazes, típicas de psicodelia da DMT, mas o mal estar da última sessão foi mínimo. Desta vez não temi mergulhar em um sonho de imagens como sempre me acontece e, ao mesmo tempo, buscar me conectar com meu centro Corpomental e na evocação de Cristo Redentor e sua Consorte Confidente e Inicidora, Myriam de Mágdala. 


Ao evocar Myriam, uma espécie de presença de luz feminina me acompanhava e comandos internos me orientavam para manter contatato comigo mesmo através do centro Dan-Tien e de minha Concha energética, e isso foi durante todo o tempo da sessão, mesmo quando fui me deitar na cama. Enquanto isso, não consegui mais ingerir da Jurema devido a crescente náusea de lançar pra fora o Vegetal, e não mais tive disposição de me movimentar, exceto um pouco a cabeça, por vezes a respiração ficando desajustada, mas logo retomava sua automaticidade. Busquei sugerir á força que percorresse a coluna e adentrasse-me o complexo do cérebro, retorne pela garganta, Pulmão-Coração e Dan-Tien até os pés, mas não acontecia com nitidez devido ás imagens psicodélicas que, embora não me fossem agressivas, tentavam se infiltrar na mente e no desejo me tomando toda a atenção. Afinal, consegui alcançar o canal posterior da cisterna que adentra o cérebro e um grande salão de complexas estruturas me surgia. Temendo que Kundalini não descesse, logo agradeci à Myriam-Luz iniciadora e supliquei que me orientasse a descida da força-atenção a fim de abrir caminho no canal da Função até o Dan-Tien e pernas- pés, completando a rota macro-cósmica Taoista, sem ambição de permanecer lá no alto da escadaria. Então novamente a energia retornou até o centro Dan-Tien abaixo do umbigo e sentia pulsar o casulo energético. Estava preocupado com o consumo da vela e a escuridão se ela apagasse, afinal com dificuldade consegui me mover os braços, pernas e me levantar, meio sonâmbulo, acendendo nova vela no candeeiro. A tela de Ieshoua e Myriam era esplendorosa à minha visão sob efeito de Jurema. As imagens luminosas e intuitivas ganham profundidade e movimento. Os bocejos que volta e meia me sucediam parece que ampliavam as visões da camada do sonhar psicodélico, pois acabo entrando em entrega de relaxamento. Depois de esvaziar a bexiga, decidi que era hora de deitar na cama debaixo de cobertas, e se necessário utilizar de agulhas de acupuntura que já havia antecipadamente preparado.


Na cama e debaixo da coberta, me centrando no Dan-Tien que já nem sentia direito, já que pedra e corpo se tornam um detalhe na imensidão do carrossel de Jurema, me lembrei da orientação de C.C. nos seus livros e recostei as duas plantas dos pés, me apoiando os joelhos dobrados com outra coberta. Queria contato naquela postura e as imagens me transportavam a um plano de sonho e a seguir voltava a emergir prestando atenção a mim mesmo. Fica difícil precisar as imagens pois talvez a força da DMT - molécula do espírito que estimula a Pineal, já estivesse sendo inibida pela Monoamino-oxidase que entrava em ação. Até que finalmente decidi relaxar mais, e mesmo com cuidados, me virei de lado, primeiro à direita, e com intervalo para novo esvaziamento da bexiga, depois à esquerda, voltando a dormir, voltando dessa forma ao sono natural. Sonhei então que construíra uma nova casa de madeira toda espaçosa, mas com algum detalhe frágil na varanda, que minha atual cônjuge existencial ou minha ex-cônjuge havia improvisado, não me ficou claro. Bem simbólico, diga-se. Afinal me surpreendi ao reconciliar o sono e o sonho após encerrar os efeitos da Jurema! Estou indo no caminho do meio sem extremos e no caminho da reconciliação, ou seja, "caminhos com Coração" !

O Turbilhão de JUREMA- O carrossel é para os fortes e flexíveis- Parte III

Um resumo: Por uma série de estimativas significativas decidi beber do Vegetal JUREMA uma terceira sessão e buscar aprofundar o conhecimento iniciado na segunda sessão que diz respeito a Coluna Vértebro-Nervosa. Havia inciado lá de baixo, dos degraus da Coluna Sacra. E foi assim no início, mas a pretendida coerência foi pro espaço certo momento pois a força da Jurema estava expandida pra além da participação, e por sincronismo iniciatório um grupo de candomblé nas proximidades estava entrando direto na minha percepção e tornava insuportável a força do altar de flores e elementais que eu tivera inspiração de reunir. Passei algumas horas lá fora de casa em oculto nas sombras e buscando regular o tremendo puxão que Jurema e o som alucinante do atabaque do candomblé me atingia. Pra mim foi uma iniciação de tudo-nada em que eu tinha de aprender a CIRCULAR o Qi da Kundalini ascendendo pela coluna e descendo pelo canal funcional anterior. Como nunca, as advertências do venerável Gopi Krishna fizeram todo sentido, como também as lições da integração da rota celestial dos Taoistas, a práxis que integra a acupuntura e a sobriedade do caminho tolteca que me foram-me fundamentais.

Num sábado decidi-me tomar novamente o Vegetal da Jurema pra marcar o dia que o tão almejado poço semi-artesiano ficara instalado no meu "sitio do Sonhar". Preparei um altar pra Jurema-Myriam de Magdala caprichado com flores do jardim cultivado, sal, vela alva, arroz e pedras, símbolos de poder, luz, beleza, natureza, pureza. Decidi-me vestir de branco como forma de proteção e sentido do Conhecimento. Nunca esperaria que tal predisposição pudesse me flanquear pra intrusão de forças umbandistas! Preparei a cadeira e o tapete de fibras, mas este nem foi utilizado pois tive de caminhar ao seu redor pra ir adiante dessas forças intrusas que me caçavam. Tomei um copo da Arruda Síria e meia hora depois da Jurema, iluminei o altar de baixo pra cima e pus em som um CD de Meditação com musicas suaves. Aos poucos me surgiram ressonâncias com as frequências musicais ma eu buscava mesmo era a práxis do Conhecimento tal como iniciado pelos graus da Coluna Nervosa na sessão anterior e ao mesmo tempo que o conhecimento fosse circular na espiral dos canais posterior e anterior do Corpomente. Um impulso de sair e andar me fez andar em círculo ao redor do tapete de sisal, mas ocorreu que os vizinhos do lado direito da casa, mãe e filho, voltaram a discussão iniciada na tarde, já sendo 21 horas da noite. Diante do altar de Jurema com as pulsações e sintomas da ação da DMT, tive o impulso de aspergir na direção dos vizinhos conflitantes um pouco do Sal, da Àgua e do Arroz na intenção de depurá-los do ódio. Jurema me fez descobrir figuras na palma da mão quando fechava os dedos sobre o sal a cada vez que aspergia o sal para os lados dos litigantes. Foi algo de inusitado e encantador as figuras de sal surgidas pelas dobras da mão! Também enviava por vezes a da palma da mão um arco-íris de cores na direção de seus gritos, até que ouvi a voz de um menino e alguém masculino insistindo que fosse tomar banho ou algo assim. Depois que se acalmaram, estava ouvindo um batuque distante se confundindo com as músicas do CD de meditação, e ao terminar as faixas o batuque de ritmo candomblé só aumentava a força de Jurema, levando-me a sentir náuseas e ondas de ascensão da Kundalini querendo me afogar a lucidez. Permaneci neste combate tentando me centrar e me distanciar da força me forçando a andar com dificuldade ao redor do tapete, conseguindo passos mais soltos e não tão maquinais. Mas as ondas da Kundalini não circulavam e não conseguia me distanciar no âmbito do Conhecimento como pretendia, ouvindo cada vez mais nitidamente a força dos batuques das imediações. Se encarava os desenhos em homenagem a Jurema postos na parede, eles ganhavam dimensões dinâmicas e pulsações nauseantes, buscava na luz da vela ampliar a percepção de meu campo espiral de proteção, até que decidi sair daquela ambientação e ir respirar ar puro na cozinha anexa às sombras. Pela janela aberta a lua estava cheia e poderosa! Mesmo o ar da noite entrando-me nos pulmões não me aliviava a aflição, e então as ondas da lua cheia me atingiram de cheio! Eram ondas fortes e malévolas me afligindo e atraindo minha atenção, me fazendo ver todo o ambiente escuro preenchido de micro olhinhos como aqueles reflexos de globo de luz negra! Reconheci neste manto de olhinhos os desenhos psicodélicos de páginas correlatas. Recordei-me de passagem de meu 'sonho sideral'  de 1977 com as duas forças siderais gêmeas alienígenas, e temendo consegui sair do campo de visão da luz cheia! Estava sem saída, aos poucos entendi que deveria sair pra fora da casa e entrar em contato direto com a terra, as plantas e o ar da noite! Eu estava todo de branco e as meias brancas em contato com a terra era de contraste psicodélico notável. Não dava pra encarar a trombeleira lilás (datura sp) pois suas flores me vazia entrar em transe psicodélico e isso eu temia naquele momento dado o batuque do candomblé e a exposição lá fora. Diante de mim estava a janela de vidro fechada com os reflexos da televisor do vizinho da esquerda. Tive de me afastar debaixo da garagem e fiquei entre o carro e de costas apoiada na parede de madeira da casa, ao mesmo tempo que sentida o chão e as pedras em contato com meus pés e meias brancas. Me lembrei de levar agulhas de acupuntura ao sair pra fora e decidi agulhar alguns pontos Terra da acupuntura nas pernas que me trouxessem lucidez e contato, mas realmente os batuques estavam alucinantes e poderosos. Nisso vi um carro da Rone militar passando lentamente na frente de casa. Receei que me vissem mesmo no escuro devido ao reflexo da cor branca da roupa, e desconfiassem pois eu não tinha como me explicar nem mesmo seria capaz de articular uma frase com sentido! Eles estavam provavelmente dando voltas nas imediações devido ao batuque de boa altura do candomblé. Fui me arrastando com dificuldade atrás do carro e nesse momento ouvi a sirene do vigia da rua com sua moto. Que sufoco! rr...Não poderia nem se quisesse saudar o vigia devido a intensa força da kundalini despertada por Jurema ao som do atabaque. A belina preto-amarelada da Rone retornava outra vez de passagem à frente da casa, então decidi sair me arrastar mais retirado ao fundo, enquanto isso o vizinho da televisão acendera a luz do banheiro e eu receava que ele ouvindo ruídos ao lado abrisse a janela! rr... Aspirei o cheiro do alecrim e isso não me fez clareza mental, pois seu cheiro possante me fazia sonhar. Afinal fiquei novamente recostado na parede da casa mais ao fundo e ainda longe da influência da luz da lua cheia, e por fim o vizinho desligou as luzes e me pareceu que estava despachado pro mundo do sono! Os dois atabaques cessaram por momentos e um vozerio de comemoração e entusiasmo me chegou aos ouvidos, mas minhas esperanças se foram pois em pouco os batuques reiniciaram assustadoramente mais intensos e possessos! Caramba! Agachei-me de cócoras e retirei as agulhas das pernas, e tentei prestar mais atenção às plantas nas vizinhanças pra desviar do poder magnético do ritmos dos atabaques! Com surpresa o perfume das folhas da pocan, uma tangerina perfumada,  me trouxe frescor purificante e paz que tanto necessitava! O pé de pocan se tornou uma presença mágica, singular, especial, uma árvore amiga e empática! Ficamos assim umas poucas horas e eu solicitando seu perfume quando as coisas apertavam na visagem, até que a força de Jurema reduzisse mesmo com o atabaque do candomblé ainda em vigência. Estava meio esgotado e tentei me recolher em casa, mas ainda assim os possessos do batuque me castigavam lá dentro, mesmo no meu quarto e tentando postura invertida pra aliviar a pressão. Troquei de CD por pura intuição, umas faixas de Etho Dórico de 240 hz, sons de mar profundo e assim consegui me relaxar e afastar a atenção das intrusões do candomblé. Daí retornei a cozinha e guardei os vidros do Vegetal na geladeira, e voltei ficar recolhido buscando me centrar através do Dan-Tien no leito da cama. Não dormi, mas entrei em transe sem sonhos. Com as agulhas de acupuntura tentei craniopuntura pra reduzir o excesso de Yang da Kundalini, e voltei gradualmente a adormecer. Pra mim, esta sessão foi uma iniciação nos primeiros graus do Conhecimento da Kundalini da base da Coluna e a persistência em circulá-la pela órbita sagrada da espiral do Casulo Energético é essencial, me centrando em Cristo Nosso Senhor e Salvador, na Luz de Myriam de Magdala, nossa intercessora e inciadora.