JUREMA: mestra e inciadora, parte II- Vicente Medrano

Esta foi a segunda vez que bebi do Vegetal Jurema, desta vez uma sessão pra valer. Enquanto da primeira vez foi um teste mascando e conhecendo Jurema, desta vez tivemos a chance em três pessoas pensarmos, avaliarmos e prepararmos o Vegetal durando cerca de 9 horas seguidas o preparo! E teria durado mais uma hora se tivéssemos decidido esfriar naturalmente e adicionar clara de ovo e ferver novamente depois de coado! uff..como já era tarde, cerca de uma da manhã não tivemos mais disposição, e como eu não tinha noção direito e certo do tempo que gastaria pra preparar, acabei iniciando por volta das quatro da tarde desse sábado, o que acabou se prolongando madrugada a dentro, e a minha sessão chegou até as cinco da manhã, durando cerca de 4 horas a MIRAÇÃO de forma mais intensa, e mais uma hora de forma mais amena. Pretendo aqui registrar a minha vivência, e deixar detalhes de outras duas pessoas que estiveram junto, embora uma somente pode beber, mas todos tivemos importância no sucesso e intensidade da sessão, isso pra mim ficou evidente! A INTENÇÃO conta e bastante no sucesso de elevada vibração de frequência de Jurema.
APRENDIZ DE JUREMA
07/01/17
Tenho a impressão que um novo ano em sentido de novidade se iniciou no meu caso. Jurema inaugura um novo espírito nesta noite e madrugada de 2017, pois até agora eu estava no espírito do ano nauseado de 2016. Ficamos em três pessoas preparando e pensando os segredos do preparo de Jurema, e acabamos levando mais de nove a dez horas seguidas ao lado do fogão a lenha e outras providências! Jurema conseguiu a chance para que eu, também minha filha Carita e D..., estivéssemos trabalhando juntos em comunhão de esforços, numa tarde e noite iluminada e talvez única. Acho que Jurema nos uniu em propósito e espírito. Carita estava relutante em beber o Vegetal e realmente seguiu-se uma cistite justo nestas horas, de modo que decidiu não beber. D... estava disposto e entusiasmado, mas sentiu náuseas, e passado certo tempo que, segundo ele mesmo, teve dificuldade em assentar os pensamentos e imagens mentais, alcançando algum silêncio mental, ficando mais em contato com suas sensações, as náuseas ficaram intensificadas e teve de lançar fora o Vegetal, indo-se deitar, ainda na miração postergada de flashes coloridos acabou adormecendo.
Quanto a mim permaneci sentado e com as palmas dos pés em contato com o chão, e foi bem acertado pois as náuseas reduziram, e assim ia trocando as músicas do aparelho conforme havia previsionado, e a seguir, na miração alternava as faixas conforme intuição do momento. Não dei importância à miração iluminada em si, mas sim na busca do conhecimento e questionamentos. Jurema me mostrou que é toda Luz em alta vibração, feminina e mestra, diferente de Ayuhaska, esta masculina e impositiva, talvez por estar dominada de forças de várias dimensionalidades que vibram em baixas frequências, cercada de trevas de perfídia e malevolência. Entretanto está referido em pesquisas de faculdade de nosso país que Ayuhaska aciona a capacidade de multiplicação de novos neurônios no cérebro , possivelmente em ambiente de laboratório, e considero este dado mais relevante ainda com Jurema.
Minha associação pessoal de Jurema é com a mítica Myriam de Magdala, e isso me é benfazejo pois transmreuta a frequência vibratória de Jurema na Grande Mãe, Mater Natura, Magna Magister, aquela que é a confidente e consorte do Peregrino do Espírito na ponte do mundo, segundo frase preservada de dito de Iéshoua em agraphon ("O mundo é uma ponte. Não pare sobre ela. Atravesse-a."). Iniciadora e mãe nutridora, tanto a nível arquetípico da natureza geratriz quanto a nível da mulher co-participante do mistério sagrado, o portador do selo do Cristo-Espírito-sobre-a-ponte, mistério mítico que percorreu culturas e civilizações, realizado pelo Hassídico da Galileia.
O mergulho no oceano de vibrações proporcionadas por Jurema são-me diretamente relacionadas em graus ainda de baixa intensidade com a percepção do ´oceano de ondas da Águia, segundo relatos nos livros de Carlos Castaneda (CC), mas sem que ainda no momento as coisas percam suas definições e limites, mais isso dependerá do quanto estamos abertos, intensificados e destravados a aprofundar o oceano de ondas vibratórias. De olhos fechados ou abertos, as vibrações se tornam intensas e rutilantes. A tela que eu acabara de pintar na noite anterior, irradiava e ao mesmo tempo recebia emanações vibratórias, e eram focalizadas no peito das figuras espatuladas em cores. Na imagem de Iéshoua, o pão e o peixe se transmutavam em asas diáfanas e estas, na sequência, se transformavam num livro de páginas abertas e luminescentes. Do peito de Myrian na tela, irradiava um farol de luz branca e pulsante!

Mesmo puxando uma manta sobre a cabeça, os compassos eletrônicos das músicas não se transformavam em figuras ameaçadoras com a obscuridade, exceto talvez em algum momento fugaz, uma imagem de serpente de luz tivesse me parecido ameaçadora. O aspecto mais relevante que me recordo foi decorrente da insistência em Aprendizado, que me fez surgir o desejo de aprender e me focar no Conhecimento de minha coluna nervosa. De inicio buscava me focar por vontade e iniciei na primeira vértebra lombar, mas não me ficava nítido e logo pulava pra coluna dorsal, sétima cervical e duas primeiras cervicais sagradas, acabando por desembocar na vastidão do interior do polo cefálico, onde vastas regiões surgiam em flahes. Mas a lição retornou ao início da coluna por insistência minha, temendo que ficasse kundalini presa no polo Yang que tanto ameaçou a lucidez de Gopi Khrisna, segundo relatos dele próprio em seu livro seminal. Desta vez a mestra da Jurema me foi mais presencial, indicou e insistiu que o aprendizado iniciasse do começo, e fez-me descer mais a percepção da coluna para o cócix, me mostrando que a coluna nervosa e vertebral principiava na coluna sacral e de lá deveria ser contada. Aprendi que as vértebras sacras eram ´cinco irmãs´, ao que me recordo, e com o quadril e pelve formavam o alicerce do corpo sobre a terra, a gravidade e a existência, bem com a virtude da base fálica no homem e em meu próprio corpo.
Realmente, minha coluna sacral e espaço pélvico-ilíaco ficava ficou iluminada e vitalizada sobre o assento da cadeira praiana em que me apoiava. Ficava difícil prender a atenção nas lições pela imposição das ondas e náuseas que me acometiam, de modo que prendi a pedra de cristal de rocha sobre o Dan-Tien abaixo do umbigo, inclusive porque as vibrações das músicas e ondas luminosas se tornavam frenéticas depois que encerraram as faixa do Vangelis que colocara rodar, e introduzira a sonoridade frenética do kundalini Meditation do Osho. Temi então a disparada da ativação kundalínica descontrolada, de modo que senti que era hora de reduzir a velocidade e mesmo me despedir com gratidão de Jurema. Nisso o galo das cinco da madrugada já cantava, procurei deixar em ordem a cozinha e a sala sob a luz da vela de modo que a atividade reduzisse a miração. No quarto busquei pontos terra da acupuntura pra poder rebaixar o Qi, reduzir-lhe a ´rebelião´ e me centrar no contato com o solo. Tive dificuldade em adormecer, permanecendo numa espécie de transe até me levantar pela 8 da manhã.
Conclusão: A COLUNA nervosa e vertebral é o assento sagrado de toda rota de plenitude e libertação.

Como conclusão nos dias que se seguiram a esta e demais sessões, fica-me mais e mais evidente que a Coluna Nervosa e Vertebral é o caminho sagrado e régio de toda rota de ascensão e circulação de Qi e kundalini, sem a qual a libertação do cativeiro e o despertamento pro aqui-agora de nosso potencial oculto é impossível. É uma longa jornada dentro/fora de nós através do `mar escuro da consciência´, e quem cedo madruga mais cedo trabalha e tem os frutos. A coluna nervosa tem o poder oculto de nos despertar de dentro pra fora, desde cedo nosso cérebro é um recém-nascido, mas a coluna já nasce velha e sábia... pra nos movimentar de modo livre e espontâneo bastam algumas horas e poucas semanas, pra falar levarmos anos e concatenar um eu no córtex frontal, uns cinco ou mais anos... Então de repente, algo assumiu nossa mente e fomenta um turbilhão de barulho, desejos, emoções e distração. Fúria e Repetição vem-nos do mundo em nossa mente. Precisamos ir mais e mais fundo aqui-agora em nós, reecontrarmo-nos com nosso centro e face original. De cima pra baixo e de baixo pra cima, a partir de nosso centro Corpomental e Noético-espiritual. Na postura do morto, do Iõga, deixe-se permanecer em silêncio na obscuridade e sinta seu corpo e coluna sobre um tapete, busque se centrar apartir do Dan-Tien tres dedos abaixo do umbigo. Permita que sua respiração e sensações partam de sua coluna nervosa, tiques, movimentos, formigamentos, abalos musculares, a gaiola da couraça muscular e emocional é bastante travada. Solte-se sem pensamentos e preocupações, continue soltando a respiração de modo mais prolongado a expiração e um gemido mântrico. E então voce sera pela primeira vez observador passivo de sua própria manifestação autêntica e original...
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