sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

JUREMA - Sessão IV- sem adornos (por Vicente Medrano)

MESMO na dúvida , algo em mim decidiu tomar o Vegetal JUREMA, mesmo cansado do trabalho do sitio neste sábado, e mesmo temendo outras noites de insônia resultante do excesso de Yang no cérebro, pois uma força em mim acabou preparando as coisas para beber da Jurema. Desta vez não me vesti de branco, deixei a roupa habitual da noite, sem detalhes do sal, água, arroz e toalha branca na mesa de canto, apenas flores, ervas, pedras e vela branca acesa, tudo diante da tela de Iéshoua-Myriam. Imaginava por um CD  de meditação, mas acabou não sendo acionado. Tomei da Arruda Síria um copo e terminei o relato deste blog a respeito da última e penosa sessão sobre os ataques da Umbanda. As náuseas foram surgindo mas não me intimidaram, e havia jantado arroz e peixe deixando meu estômago forte. Depois de cerca de quarenta minutos, comecei tomar da Jurema aos goles, e aí sim o corpo tremeu como vara verde tentando rechaçar pinchando fora, mas acabou sendo o solavanco de ativação do organismo pela Jurema. Aos poucos fui tomando em pequenos intervalos o Vegetal, decidi me deitar sobre o tapete de sisal e me centrar com o cristal de ametista sobre o Dan-Tien abaixo do umbigo e permanecendo na ´postura de morto´do ioga. 


Minha intenção era permanecer no modo de aprendizado interno por meio da circulação da kundalini pela rota do Vaso Governador na Coluna e descer pela rota do Vaso da Concepção dos órgãos Zang-Fu (Glândulas, Pulmão-Coração e Vísceras). Como os dois vasos tem fluxo ascendente, neste caso descer é um desafio especial de contra-corrente que percorre os órgãos internos já referidos, entretanto, no relaxamento em que pretendia ampliar a percepção do campo energético, advieram-me gradualmente um estado de sonhar com imagens luminosas complexas e fugazes, típicas de psicodelia da DMT, mas o mal estar da última sessão foi mínimo. Desta vez não temi mergulhar em um sonho de imagens como sempre me acontece e, ao mesmo tempo, buscar me conectar com meu centro Corpomental e na evocação de Cristo Redentor e sua Consorte Confidente e Inicidora, Myriam de Mágdala. 


Ao evocar Myriam, uma espécie de presença de luz feminina me acompanhava e comandos internos me orientavam para manter contatato comigo mesmo através do centro Dan-Tien e de minha Concha energética, e isso foi durante todo o tempo da sessão, mesmo quando fui me deitar na cama. Enquanto isso, não consegui mais ingerir da Jurema devido a crescente náusea de lançar pra fora o Vegetal, e não mais tive disposição de me movimentar, exceto um pouco a cabeça, por vezes a respiração ficando desajustada, mas logo retomava sua automaticidade. Busquei sugerir á força que percorresse a coluna e adentrasse-me o complexo do cérebro, retorne pela garganta, Pulmão-Coração e Dan-Tien até os pés, mas não acontecia com nitidez devido ás imagens psicodélicas que, embora não me fossem agressivas, tentavam se infiltrar na mente e no desejo me tomando toda a atenção. Afinal, consegui alcançar o canal posterior da cisterna que adentra o cérebro e um grande salão de complexas estruturas me surgia. Temendo que Kundalini não descesse, logo agradeci à Myriam-Luz iniciadora e supliquei que me orientasse a descida da força-atenção a fim de abrir caminho no canal da Função até o Dan-Tien e pernas- pés, completando a rota macro-cósmica Taoista, sem ambição de permanecer lá no alto da escadaria. Então novamente a energia retornou até o centro Dan-Tien abaixo do umbigo e sentia pulsar o casulo energético. Estava preocupado com o consumo da vela e a escuridão se ela apagasse, afinal com dificuldade consegui me mover os braços, pernas e me levantar, meio sonâmbulo, acendendo nova vela no candeeiro. A tela de Ieshoua e Myriam era esplendorosa à minha visão sob efeito de Jurema. As imagens luminosas e intuitivas ganham profundidade e movimento. Os bocejos que volta e meia me sucediam parece que ampliavam as visões da camada do sonhar psicodélico, pois acabo entrando em entrega de relaxamento. Depois de esvaziar a bexiga, decidi que era hora de deitar na cama debaixo de cobertas, e se necessário utilizar de agulhas de acupuntura que já havia antecipadamente preparado.


Na cama e debaixo da coberta, me centrando no Dan-Tien que já nem sentia direito, já que pedra e corpo se tornam um detalhe na imensidão do carrossel de Jurema, me lembrei da orientação de C.C. nos seus livros e recostei as duas plantas dos pés, me apoiando os joelhos dobrados com outra coberta. Queria contato naquela postura e as imagens me transportavam a um plano de sonho e a seguir voltava a emergir prestando atenção a mim mesmo. Fica difícil precisar as imagens pois talvez a força da DMT - molécula do espírito que estimula a Pineal, já estivesse sendo inibida pela Monoamino-oxidase que entrava em ação. Até que finalmente decidi relaxar mais, e mesmo com cuidados, me virei de lado, primeiro à direita, e com intervalo para novo esvaziamento da bexiga, depois à esquerda, voltando a dormir, voltando dessa forma ao sono natural. Sonhei então que construíra uma nova casa de madeira toda espaçosa, mas com algum detalhe frágil na varanda, que minha atual cônjuge existencial ou minha ex-cônjuge havia improvisado, não me ficou claro. Bem simbólico, diga-se. Afinal me surpreendi ao reconciliar o sono e o sonho após encerrar os efeitos da Jurema! Estou indo no caminho do meio sem extremos e no caminho da reconciliação, ou seja, "caminhos com Coração" !

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