sábado, 19 de janeiro de 2013

A Verdade e a Aparência, redimencionando Cristo no holismo tântrico.

Cristo fonte de água da vida:arteDinarte
        Hoje estava assistindo o Dvd AUGUSTINE A Queda Do Império Romano, um longa metragem histórico com Franco Nero, a luta de um homem entre dois mundos, a da aparência e da verdade, e ao sairmos para espairar ao anoitecer, deu de trocar idéias com mulher e companheira. Dizia a ela que a vida do ser humano trafega num conflito entre a verdade e aparência, e cujos atores desse drama variavam conforme a época, e alguns desde criança são guiados pela senda desse conflito, entre sobreviver de acordo com a descoberta da verdade,  e a de viver de acordo com o mundo e seus interesses, e dos poderosos do momento. O homem vive mais intensamente esse conflito, a mulher é mais adaptável por força da cultura e desperta mais tarde, embora nesse caso tem mais influência a classe social, pois mulheres de famílias abastadas são educadas a comandar desde a infância. Entretanto o que subsiste submerso na consciência cotidiana é que homem e mulher são aspectos aparentemente diversos de um único ser incognoscível.  No filme referido a verdade era ditada pelo discurso e convencimento no palco do tribunal, até que o jovem  advogado em Cartagena se choca ao reconhecer que o convencimento não implica em justiça e verdade, que o cliente pode ser culpado e ser absorvido. O seu professor não se importa com essa questão, lhe importa o resultado e o interesse do cliente. Era a época romana, um império ameaçado por dentro e por fora, o cristianismo atraindo fiéis pela tolerância de Constantino, com predomínio do cínico paganismo e seitas esotéricas(como a de Mani, os maniqueistas) para associar os emergentes e em crise de valores. Na aparência do mundo o que contava era status, posse e poder, e tudo se concentrava em avidez sexual para diversão da consciência, as disputas se resolviam em lutas variadas, convencimento e adesão, ameaças, perseguição e por fim violência e assassinatos. O cristianismo primitivo trouxe em primeiro plano a verdade da consciência, e no epicentro dessa verdade uma referência transcendental que faltava aos filósofos e pensadores da ética. Enquanto esses se colocavam no mesmo plano humano com seus leitores e ouvintes, Jesus era o Cristo atemporal de ontem e sempre, onde cada um era valorizado em si e na comunidade, ao contrário do mundo pragmático pagão e dos filósofos a quem faltava a esperança da transcendência. A morte era um fato insofismável, restava a aparência cultivada em vida, no máximo o nome ao longo dos séculos, como um Sócrates que preferiu a morte gloriosa ao lento agonizar da velhice avançada. Mas o Cristianismo como fenômeno histórico conseguiu eclipsar a barreira-limite da morte e deu combustível para enfrentar os tiranos e a sociedade romana. Mas a morte continua ao longo dos séculos sendo o que ela é, a entrega final, e toda possibilidade ainda é fruto da mente e da energia ainda viva, mesmo que em suspensão comatosa. O Morto continua presente e perturbado em nossa consciência pessoal e coletiva, ou inconsciência coletiva pelo geral. Por isso os rituais na despedida final, não somos simples animais. Entretanto talvez Jesus não tivesse interesse especial numa teoria de existência após a morte. Na oração do Pai-Nosso não há referência alguma à morte, apenas ao mal. Se ele falava da morte era em parábolas para mover e incentivar os seus ouvintes a aderirem ao caminho em que ele era a porta e a realização. Aquela advertência:" Deixe que os mortos enterrem seus mortos, você venha e me siga.", semelhante a "Renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga" e "O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça",  nos revela um Jesus peregrino na ponte do mundo, em que a verdade é a plenitude humana em seu amor, e a comunhão das pessoas entre si através desse Coração-Mente, um A-Caminho para além do mundo e do ego pessoal e coletivo. Em Marcha! - diz a tradução de André Chouraqui à introdução do Sermão da Montanha, em vez do beatífico e confortante 'Bem-aventurados'. Entretanto, diante da instituição do poder romano surgiu a instituição do poder católico, e diante da pressão dentro de suas próprias paredes, a Reforma. O cristianismo se mundanizou, e o Concilio de Nicéia dogmatizou a esclerose do Cristianismo, de uma religião revolucionária para uma religião conivente com o Estado e o Poder Instituído. Segundo Erich Fromm, em O Dogma de Cristo, o Cristianismo, que fora a religião de uma comunidade de irmãos iguais, sem hierarquia ou burocracia, tornou-se "A Igreja", um reflexo da imagem da monarquia absoluta do Império Romano. 
         Não se sabe o que Jesus/Yeshua falava a respeito do sexo, se é que falava pois ele ansiava a redenção espiritual e libertação das garras da 'legião', que tanto pode ser a força anímica alienígena como as garras da àguia romana. Em Mateus está referido que era melhor se tornar um "eunuco" e servir o reino de Deus, do que cair nas contradições e armadilhas dos relacionamentos do casamento, da lei e do sexo:"Nem todos compreendem esta palavra, mas somente aqueles que é dado compreender. Sim, há eunucos que do ventre de sua mãe nasceram assim. Há eunucos que foram feitos assim pelos homens. E ha eunucos que se fizeram assim eles mesmos eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode penetrá-lo, que que o aceite!". A respeito dessa passagem que me queimou a cabeça e levantou resistência muito tempo na adolescência, Chouraqui interpretando o novo testamento a partir do hebraico e do aramaico com o povo que Jesus falava, refere que ao por o celibato acima do casamento e a virgindade ou a continência acima da vida conjugal, Iéshoua(Ieshua)-Jesus se situa na linha direta dos ensinamentos essênios. Entretanto,por outro lado, esse estudioso delira e exagera vendo Jesus trajando uma veste ornamental judaica com suas franjas atadas nas quatro pontas...Foi assim que os padres viram Jesus nas suas vestes cerimoniais do Vaticano. Sabe-se que nos anos ocultos Jesus-Ieshua viajou pelo mundo conhecido e oriente , e trouxe uma sabedoria para além da tradição e do credo essênio, por isso ele se misturava ao povo nas estradas da Samaria, do litoral e em companhia de Mulheres, às quais dedicava especial atenção,em especial Maria Madalena, bem como às crianças, do que se apreende no episódio em que Jesus alertava Marta dos excessos de trabalhos em casa deixando de lado o 'único necessário' que sua irmã Maria buscava. Enfim, se o sexo e o apego prejudica a transformação da pessoa tornando-a inapta para se integrar ao 'reino do Céu' e agir neste sentido,  transformando suas relações no mundo, enfim uma práxis holística, é melhor renunciar ao sexo e seus vínculos. O que não significa instituir o celibato e reprimir a energia sexual como a Igreja postula, haja vista que também este dogma provoca inúmeras patologias e desvios, desde fanatismo assassino como a história demonstra na inquisição, pedofilia e demais escândalos. Infelizmente há quase ausente referência ao modo tântrico-taoista de relacionamento sexual e continência do espasmo ejaculatório, exceto por advertências de livros sapientes da Bíblia quanto ao perigo de se entregar ao abuso com mulheres. Ainda estávamos sob a lei do: Crescei e reproduzi-vos!, o enfoque dos Elohims dos Hebreus,Iahveh( ou o impronunciável consonantismo IHVH, como refere Chouraqui, termo vindo de hava,"aquele que sempre foi e será e se revela", ou hawa, do árabe, o ar que sopra e lança raios, tonitruante, sendo elohims no plural, deuses, talvez o plural de El, o poderoso ancião dos dias). 
          Entretanto se Ieshua-Jesus vê e emite logos de acordo com a tradição do Torá, mas também os recria a cada passo na sua peregrinação pela ponte do mundo,  não age de maneira predeterminada como um simples doutor da lei, mas se modifica na fluidez do contexto e do coração em seu amor ao Incognoscível IHVH, o elohims demiurgo fundador de civilizações, seu sangue e ressurreição ecoa pelos séculos há dois milênios, tão fecunda e rica sua manifestação na mente e no coração da humanidade. alterando a face bárbara e pagã dos séculos anteriores, esta face que continua dando contribuição para as turbulências do presente. Assim temos que na atual contingência globalista da produção e, na esteira  da cultura e suas repercussões sobre as mazelas do meio-ambiente, a extinção e contaminação em massa da biodiversidade, já vai tarde talvez demais uma releitura tântrica do eunuquismo referido por Jesus aos fariseus e seu próprio circulo de discípulos. Haja visto que a contenção tântrico-taoista do espasmo no homem e do instinto fecundante na mulher pelo esperma, sublimando-os e transmutando-os em síntese energético-anímico-transimanente, ao invés de fusão ego-afetivo-genital, fusão esta sempre sujeito a declínios e rupturas dramáticas que tanta literatura, poesia, patologia e tribunais provocou. Muito logicamente este processo holístico escandaliza e ameaça àqueles e aquelas que tomam a bíblia ao pé da letra ou segundo padrões teológicos que propõe a igreja e seus dogmas como referência. Existem cérebros carunchados de fanáticos que vomitariam turbilhões de palavras ameaçadoras e de ondas de ódio a esta busca holística nos evangelhos canônicos, apócrifos e a toda ampliação contemporânea da mensagem cristã, ou melhor, Crística. Daí o termo UNOTANTRA CRÍSTICO  escolhido para este blog.
          Por último, retornando ao filme e à conversão de AUGUSTINE ao cristianismo, foram FATOS, não palavras que decidiram a ruptura de Augustine com a aparência da sociedade pagã e imperial. Palavras quando muito são preâmbulo dos fatos, alerta-nos para fatos que estamos inconscientes ou que ainda se sucederão no processo. Mesmo quando palavras parecem que transformam alguém, são fatos que vinham nos incomodando e que as palavras revelaram. È o caso de um homem despertar para a necessidade da virada tântrica e renunciar ao deleite imediato da posse ou do gozo natural, esse  condicionamento tanto cultural quanto genético-hormonal. Foi o caso da conversão de AUGUSTINE ao cristianismo, quando um homem desperta para a inautenticidade de sua vida e fragilidade de sua existência, trafega no fio da navalha e flerta com a aparência imposta, inclusive com atos degradantes e crimes ocultados. Na cultura em geral buscam transformar palavras em fatos, como prestidigitadores políticos e advogados.  Mas há muito caminho a ser desbravado no unotantra, pois ao ser humano cabe aprender tudo pela cultura viva da práxis do relacionamento integral, pois ao que nasce nem respirar nem chorar sabe espontaneamente, precisando ser estimulado no canal de parto ou por intervenção humana. 
        Enfim, dado à sua conversão e graças à sua eloquência comunicativa e assídua busca de sentido na existência, Augustine viu com seus próprios olhos a decadência e ruína do império romano e seu castelo inexpugnável, soube que escolhera o lado que sobreviveria à débacle do mundo até então dominante e viu no amor a força legítima que põe em movimento a roda da evolução integral humana: tudo o que pensar, falar, defender, agir, faça-o com amor, em especial, amor a Cristo, mas que na época o bispo e pensador de Cidade de Deus, o 'Santo Agostinho', era amor à Igreja e ao papa católico. Fico com a sensação que estamos assistindo a déblacle da dominação em nosso mundo e nossa época, e que o Cristo e o Tantra assistirão e sobreviverão à ruína do império  da aparência e do instinto que ainda comanda o mundo, a dualidade que ata e divide a consciência humana. Enfim Augustine, A Queda do Império Romano, não é um filme cult-arte, mas informa, faz pensar e esclarece, além de belo e sensível. 









terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tantra crístico, por que não 'cristão'?-Miryan de Mágdala, a assunção feminina em Cristo

cristo do mangue,arte:Dinarte
   Tem muita gente que torce o nariz ao termo 'crístico', mas é apenas uma palavra que tenta separar o assunto de juízos religiosos. Todos temos direito à iluminação, como afirmavam o movimento shrâmico(praticantes) do hinduismo, como referi no link-resumo passado, independente de quem somos ou o que fazemos no mundo. Autoridade nenhuma pode nos condicionar mental ou afetivamente, a menos que nos acostumemos ou permitamos.Nosso caminho pessoal é singular em primeiro plano, e diz respeito a nossa inteireza e destino, e plural-coletivo a seguir. E Cristo não é propriedade de religião ou autoridade, apesar de pouco passar de um ícone na mentalidade religiosa comum e institucional. O termo 'cristão' é tradicional e tem reverberações dogmáticas, coisa que não combina com aqueles que buscam se mover o melhor que podem no fluxo do tao, na espiral holocentrada da existência plena(ou pelo menos naquela que somos capazes e temos energia para intentar e percorrer). A igreja já teve poder de dar 'caça às bruxas' e interpretações variantes do fenômeno de Cristo,tidascomo heréticas e isoladas em 'evangelhos apócrifos'(isto é,' ocultos') e outros escritos. Ora, no aforismo 42 do ev. de Tomé, diz-nos Jesus: Sede Passantes..., sabedoria ancestral que já Heráclito de Èfeso anunciava em seus fragmentos onde tudo é fluxo e transformação, e o cosmos um fogo sempre vivo, em que pese tudo ser UM para aquele que 'ouve' o logos, o princípio unificador para além da vida e da morte. È apartir deste plano que a mensagem de 'vida eterna', Zoé, divulgada por Jesus-Yeshua, pode ser interpretada na contemporaneidade: um sentido de 'vida plena' como está no ev. de João, na plenitude do amor tal como ele nos amou. Mas uma cabeça conformada e conservadora vai enfatizar as passagens que reforcem sua mentalidade, e  cada um interpreta os evangelhos conforme seu background, sua mentalidade e formação.Talvez estas mesmas tenham sido ali impostas ao longo dos séculos para dar autoridade ao comando das igrejas e ao sistema cultural de hierarquia no tempo, tal como aquela passagem de 'entregar as chaves do reino' ao Simão Pedro, adotado como chefe espiritual da igreja católico-romana. O PhD em teologia, Dr. Bart D. Ehrman, encontrou tantas passagens duvidosas e adulteradas ao longo das reproduções pelos copistas da Igreja que chega mesmo a duvidar da existência histórica de Jesus. Entretanto, para além da historicidade de Jesus, Cristo é uma necessidade emergente de nosso eu central, o Self atemporal e holocentrado, um arquétipo do self, como apontava Dr. Jung. Inclusive Cristo é uma presença que se desvela ao longo das eras e se modifica conforme a humanidade amplia sua consciência. Hoje em dia uma recente dimensão cósmica e trans-terrestre de Cristo está sendo debatida, e para a qual o Sudário de Turim também contribui com seu enigma. 
       Depois desta introdução, é preciso reafirmar que a salvação em Cristo não é meramente de um aspecto metafísico da alma e de uma 'existência após a morte ou no fim dos tempos' como vivem repetindo os padres e similares religiosos. Isto não convence os mais jovens e abertos ao devir, apenas afasta-os de Cristo(embora muitos estejam fanatizados na educação familiar). Acho que desde bem cedo, ainda menino, eu lia as palavras do evangelho como uma esperança para AQUI-AGORA, na totalidade do ser que sou e posso vir-a-ser. Enfim, uma salvação em sentido holístico na existência entre o nascer e o morrer, e a morte como uma ruptura e transcendência-passagem a cada ciclo e fase que  a existência nos traz e que provocamos com nossa busca-movimento, um fluxo espiral e holístico que a energia-consciência nos impele. Isto é: quanto mais energia em quantidade e qualidade sou capaz de ativar e por em movimento, mais amplio os limites da salvação e a presença arquetípica de Cristo, uma integração com o inteiro, como se auto-denomina Jesus no ev. de Tomé, e assim surge uma alquimia do ego-mundo e do ser em mim. Enfim, a passagem morte-renascimento dos antigos, onde o ritual é a própria práxis dialética em conflito com o tempo, meus limites e a mentalidade dominante, e morte-ressurreição de Cristo em mim para além do ego. E a evidência de que nossa energia transacional fundamental é a libido e não propriamente a alimentação, energia ATP de reações orgânicas e tal, temos que também a força vital dos antigos está vinculada à energia sexual, especialmente se tal energia estiver vitalizada, não por obra de compulsão sexual ou atração romântica, mas por relacionamentos tântricos, e além disso, tendo um sentido para além da dualidade que o par ou o grupo envolvido comporta, que os limites dos sentidos condiciona à mente e a Cultura  determina. Aqui novamente o círculo holístico onde o começo reencontra o fim, o alfa e ômega, o Tao, na ênfase de Cristo como esta dimensionalidade transimanente, isto é, que perpassa e transpõe a imanência do cosmos e da mente, do ego-mundo-cultura. Então fica claro o sentido da palavra tantra, ou seja, rede, uma rede de correlações inextrincável.
         Eis que precisamos resgatar ou desvelar o par Jesus-Madalena que a antiga tradição tentou preservar, suas nuances sutis que a tradição judaica bastante patriarcal e a católico-romana bastante misógina e depois celibatária tentou encobrir identificando Miryam de Mágdala com a prostituta arrependida e outras Marias anônimas citadas nos evangelhos. E mesmo que fosse, mais maravilhoso aos nossos olhos deveria ser sua transformação por amor a Cristo. Ora, os próprios evangelhos sinódicos e canônicos enfatizam a importância de Maria Madalena na reafirmação da Ressurreição de Cristo e seu testemunho num momento de medo e dúvida crucial a respeito do destino do movimento cristão primitivo. Este destaque foi enfatizado no ev. apócrifo de Maria, onde Miryam de Mágdala nos diz: "Ele nos convida a ser plenamente Humanos", termo que vem do grego copta anthropos, traduzido pelo pensador holístico Jean-Yves Leloup, 2006,Vozes.  Esta plenitude implica numa auto-descoberta de nossa totalidade em fluxo, uma cartografia da totalidade cujas fronteiras estão em Cristo, e que perpassa a sexualidade,em especial a vitalizada em sentido tântrico, e reducionalmente a sexualidade normal e decaída, atada ao instinto da natureza, aos impulsos da programação genética e hormonal. Não cabe aqui nenhum sentido pejorativo ou repressor à sexualidade, como pode supor certas cabeças apressadas ou contrariadas com a perspectiva tântrica. Afinal, esta abordagem está longe de ser pública, em tese para todos e para ninguém, como dizia Nietzsche quanto a pensamentos que frutificarão após gerações. Mas há uma abordagem transpessoal e holística em curso dentro de nossa cultura que prepara a perspectiva tântrica e holocentrada em Cristo, portanto, Crística, superando as barreiras culturais e religiosas como o ovo que, no seu tempo, dá à luz o filhote de ave. Aliás, uma magnífica imagem simbólica de Cristo, herdada dos antigos povos, o ovo da ressurreição fecundado pelo Espírito Sagrado, do túmulo e do silêncio da morte o ovo torna-se emblema direto do corpo de Cristo ressuscitado, o germe-fagulha da alquimia holocentrada e do mundo-novo, nova-esperança a partir desta pessoa centrada no amor-mente de Cristo. No lugar do filhote de ave, no ovo-ressurreição de Cristo há a imagem do cordeiro pascal que foi sacrificado pela redenção de muitos. 
         Esta abordagem prepara para adiante em outro link um aprofundamento da dimensão feminina e andrógina na mensagem de Cristo e no âmago da cultura, fundamental para o relacionamento tântrico, haja visto que a dualidade prevalente causa ansiedade e dispara o instinto natural e hormonal que rege a sexualidade normótica dominante. 
                              Disse Jesus:
                              Eu vos escolherei um dentre mil
                               e dois entre dez mil, 
                               e eles erguer-se-ão como se fossem um só, simples.
                              (aforismo 23 do ev. Tomé).

domingo, 13 de janeiro de 2013

Jaiya solo escape- posturas de yoga de solo nos conectam com o elemento terra e nutrem os centros de energia básicos e sexuais, e posturas invertidas conectam o chakra cardiaco ao mental (Shen dos taoistas), uma religação fundamental para os que anseiam a conexão com o transcendental e com Cristo interno e holocentrado..

Yoga Tantra, lindas e sugestivas imagens de integração feminina com a energia tântrica, sem entretanto esquecer que dedicações profissionais ao tema e ausência de Cristo como holocentro do sentido tântrico acabam nos conduzindo a um beco-sem-saída de aparência, domínio, compulsão sexual.

Tantrismo hinduista e taoista-resumo das origens

O Tantra surgiu numa cultura, o Hinduismo, que se manteve incontáveis séculos isolada naturalmente no vale do rio Indo entre 3.300 a.C. a 1800 a.C. onde se compuseram alguns dos livros mais antigos, o Rig Veda-civilização florescida na região que hoje é Paquistão e numa região vizinha onde corria o extinto e místico Rio Sarasvati-hoje desértica. O fértil vale do rio Ganges proveu subsistência de baixo custo e sem esforço, e uma vida de facilidades estimulou a vida intelectual e a natureza proveu a especulação filosófica, resultando no crescimento da arte,filosofia e literatura. A dominação do clã sacerdotal dos brâmanes(cultura védica) foi contestada nos últimos séculos por livres pensadores das castas dos guerreiros(kshatryas),artífices urbanos(vaishyas)e andarilhos intelectuais (parivrajakas),todos conhecidos como praticantes(Shramanas), que admitiam livre acesso à iluminação  não importava sua condição social. O budismo surgiu e era um aspecto da visão Shramânica. Apartir daí novas composições oriundas de tradições secretas  em famílias de artífices(vaishyas) durante séculos foi conhecida como Tantra('rede'), produzindo obras literárias místicas e diversificadas, entendidas como revelações, surgindo seitas de seguidores de deuses diversificados do panteão hinduista(Ganesha,Vishnu,Shiva Surya, a deusa Durga ou Shakti). Numa terceira fase houve tentativa de integração entre a cultura védica e a shramânica por um brâmane Shankara Acharya, fundando ordens monásticas do sistema vedanta originando obras como os Upanishadis, mas rejeitado como dualista por intelectuais do tantra. Esta união de adversários intelectuais foi acelerada pelo perigo das invasões de povos islâmicos e incursões européias apartir do século VI, afastando a India de sua própria cultura por cerca de mil anos, até a independência com reafirmação da casta bramânica pelo uso da violência e do sacrifício pessoal,além de ações do pacìfico Gandhi junto ao povo.(para esta resenha consultamos História Viva,Hinduísmo,ed. Duetto, op.cit.)
     Já o desenvolvimento histórico do taoismo é bem menos conhecido e divulgado, sendo que o nascimento do Estado na China aconteceu em 2000 a.C. com o surgimento de antigas dinastias, sendo que a primeira delas, a dinastia Xia, tem um caráter lendário. Nesta idade de ouro da China surgem os cinco imperadores sábios que presidiram o nascimento do império, mas atribuem-se a um deles, Huang-ti, o imperador amarelo, a descoberta e a transmissão do segredo da imortalidade. Não se sabe ao certo a natureza desta suposta imortalidade, podendo-se tomar em sentido figurado ou literal as informações em que Huang-Ti se empenhou, tais como na cura de doenças, incrementando o vigor à vida e dilatando os limites da existência. Esta busca o levou a testar a transmutação da essência combinando o masculino e o feminino com vistas à obtenção do corpo espiritual, uma alquimia andrógina, talvez holística, logrando destilar o "elixir de ouro", ao cabo do qual, numa imagem hiperbólica, "montando num dragão voou para a terra dos imortais". Segundo a tradição neste tempo os homens viviam de acordo com as laeis naturais, sabendo como prevenir doenças e curá-las, alcançavam vida longa. Cultivando o caminho conectavam-se com a própria fonte do saber divino. Mas à idade de ouro sucederam dias de declínio e o mortais se afastaram em massa do caminho e em lugar de darem apreço à sabedoria, os próceres do império se entregaram à volúpia, sendo que os discípulos dos sábio se empenharam na busca de recompensas mais tangíveis. Somente no século V a.C. com o surgimento do Confucionismo e seus valores sociais de lealdade ao soberano e piedade no lugar da serenidade e da comunhão mística com o caminho(Tao), é que surgiu o termo taoismo para distinguí-los. Numa tentativa de instruir os príncipes feudais e seus ministros, de modo que 'tudo sob os céus ficasse livre da anarquia', Lao-Tzu(ou Lao-Tsè) pintou os cinco mil caracteres que passaram a ser conhecidos como A Escrita do Caminho e Sua Virtude(tao-te king), a mais alta expressão do pensamento chinês, um completo sistema filosófico dotado de metafísica, que entrevê e descreve o Tao como causa primeira e bem supremo do universo. E no desenrolar da filosofia e história da China emerge o debate dialético entre os pensadores taoistas, confucionistas e pragmáticos, além do budismo que, ao lado do catolicismo, se infiltrou na China, distribuídos entre escolas que foram se desenvolvendo com fortes características regionais, mas que ao longo dos séculos e milênios foram se miscigenando e recriando, desintegrando e re-emergindo na mente e na prática dos homens. 
         Foi ao longo deste debate que taoistas urbanos e com família, diferenciando-se dos taoistas celibatários e isolados, elaboraram práticas do 'tao do amor', tal como constatada no  I Hsin Fang, um livro médico do período T'ang, e as descobertas do Imperador Amarelo, Huang Ti e sua principal conselheira feminina Su Nu, na elaboração do nei tan(elixir interior), essa parte tão importante da alquimia chinesa que mantém relação muito direta com técnicas sexuais, acreditando-se que prolongavam a vida e conduzissem à imortalidade(seja como for encarada).  Baseamo-nos para esta resenha nas informações de John Blofeld(Taoismo- A Busca da Imortalidade), em Mokusen Miyuki(A Doutrina da Flor de Ouro), Eva Wong(As Artes Taoistas da Saúde, da Longevidade e da Imortalidade), Jolan Chang ( O Taoismo do Amor e do Sexo), nos livros de Mantak Chia(A Energia Curativa do Tao e O Homem Multiorgásmico, além de tantas obras alquímicas taoistas), Hiroshi Motoyama(Teoria dos Chackras, Ponte para a Consciência Superior), Felice Dumas(Jogos de Paixão), Thomas Merton(A Via de Chuang Tzu), Maciocia( Os Fundamentos da Medicina Chinesa) e diversas obras de acupuntura.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Por um tantra humano e crístico

Quando um homem se depara com os conflituantes relacionamentos sexuais e amorosos ao longo da vida, no contexto da nossa cultura e existência, percebe os limites e os conflitos desde a mais tenra idade que vão se estruturando em seu caráter, deixando-se pressionar pelo condicionamento familiar, social, cultural, legal e tradicional,pode acabar num beco sem saída e doente, um cínico, compulsivo ou depressivo, ansioso e impotente. Homens e mulheres tem características diversas e complementares. Compromissos e filhos complicam o processo já por si inextrincável. Daí se porem despertados pela busca do enigma,pois caso contrário seremos devorados, temos de penetrar nos jargões psicológicos e  culturas orientais, sofrendo para penetrar no véu de simbologias e rituais que nos querem impingir dentro do nosso relacionamento, tais como entoar mantras exóticos e outras coisas que confundem nossa libido. Até o 'neotantra' criado pelo saudoso Dr.Gaiarsa foi estereotipado por 'professores de tantra e massagens de casais', quer dizer, mais dependência de gurus em vez de auto-descoberta e abertura da percepção. Este blog pretende explorar este tema fundamental para o relacionamento sexual-amoroso e felicidade humana, centrando no self o arquétipo de Cristo como reconciliador das dualidades e caminho da transimanência holística, e não mero ídolo manipulado por religiões. Que a luz libertadora de Cristo esteja no alqueire de tua casa!

O SUBMUNDO: Sexo, Espiritualidade e Tantra-este texto nos traz uma versão do tantra e realça o poder feminino na relação. Mas para nossa cultura para o tantra ser aceito massivamente é necessário focar Cristo como arquétipo holístico do Ser integral em nós(self), recusando as moldagens religiosas castradoras e redutoras da sexualidade a padrões de descarga reprodutiva e laços amorosos normóticos de baixa integração energética.

O SUBMUNDO: Sexo, Espiritualidade e Tantra: Na busca do conhecimento e de si próprio, na procura incessante de respostas para as questões fundamentais acerca do Ser, o Homem desenvolv...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Refletir e ir a-caminho no Unotantra Crístico

foto:Dinarte Araujo Neto
Em certa época debrucei-me sobre as obras de Carlos Castaneda que exerceram impacto profundo sobre minha formação pessoal e me colocaram no caminho do holismo. D. Juan Matus, o arquetípico mestre iniciador de CC, ensinava que para por uma pessoa a caminho de sua totalidade, sair do atoleiro existencial que o consenso nos reduzia, a egomania é um tirano real, e que precisávamos trabalhar incessantemente para destroná-la. Afirmava que a energia sexual era nossa energia básica e que ao disperdiçá-la na prática sexual estávamos reduzindo nossas chances de alcançar a liberdade que a totalidade nos possibilita. Livros de CC tais como O Fogo Interior, O Poder do Silêncio, A Arte de Sonhar, O Lado Ativo do Infinito são cada vez menos lidos e conhecidos do público. Uma enorme perda. Entretanto ficou faltando na abordagem tolteca de CC um caminho de reconciliação entre sexo-amor e caminho da totalidade, coisa que deve ter afastado muitos de seus leitores. A energia sexual é ambíqua em nossa economia energética: tem poder de reduzí-la como de expandí-la a curto ou longo prazo, depende de nosso comportamento, consciência e conhecimento a seu respeito. Os sábios antigos buscavam a força curativa do organismo, a physis dos pré-socráticos ou força vital da homeopatia de Hahnemann. Freud redescobriu a libido como força fundamental da psique, mas foi W. Reich quem correlacionou a libido como energia(Orgônica)pulsante no organismo, retesada em couraças psico-musculares e descarregada no intercurso sexual. Entretanto Reich reconhecia a pressão que a cultura e as estruturas sociais moldavam a expressão da energia orgônica, chamado de normose pela visão holística. Na obra O Corpo Onírico, Ernest Mindell, um Junguiano, considera a energia sexual com potencial para ser um mercúrio multiforme, que liga a terra com o céu, o fogo kundalínico e seus chakras, a rota macro/microcósmica do taoismo( a circulo sagrado que interliga a terra e o céu, o homem ao Tao). Assim é preciso considerar a correlação entre energia sexual na base da força vital/physis e drenada na normose sexual (que a cultura e a sociedade incentiva,a ciência como produto cultural reafirma), bem como considerar como legítimos os modos tântrico-taoistas de intensificar, canalizar e ampliar holísticamente a energia sexual, tanto na esfera humana direta quanto na religação com a totalidade que ultrapassa o humano. Em uma perspectiva humano-transcendental onde o amor religa o Coração-Mente em nós, é fundamental recolocarmos Cristo no centro holístico desse amor, para que a energia sexual tântrica ampliada não seja coaptada por símbolos e culturas orientais,  o que seria reafirmar a Cultura em si, ou seja, as grades que condicionam as sociedades em aspectos dualísticos,mesmo que pretenda atingir a essência da verdade. A Cultura é uma produção humana em resposta ao incognoscível e inclassificável da totalidade, o aspecto ameaçador do Mistério.Afinal, nós não sabemos de antemão o que nos vem   a-caminho, e as profecias são âncoras de intenção para moldar um futuro. Preparam uma estrada. Cristo como arquétipo dessa totalidade onde o ser humano participa, um Cristo holístico para além do condicionamento cultural e religioso, além do ego cultural que asfixia o centramento no Self transpessoal. A crítica exegeta dos evangelhos pode nos ser um início desta transposição de Cristo para um plano arquetípico e transcultural. Sobre isso recomendaria a obra de Bart D. Ehrman, O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse?(Quem mudou a Bíblia e Porquê)- da pocket ouro.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Tantra: nem neo nem maithuna, mas unotantra crístico


mulher-natureza,Tibagi.Arte:Dinarte Araujo Neto

Quem desconfia que nossa prática sexual tem algo de esquisito e impulsivo, se sente mais joguete de forças sobre as quais não tem domínio, forças que desde cedo acossam a criança, a meninice e juventude além, especialmente os homens, talvez tenha divagado em como seria o comportamento diferente do normal e do natural no sexo, enfim aquele que somos pressionados a jogar ao longo dos relacionamentos, coisa que papai e mamãe, ancestrais, amigos e ascendentes futuros vão jogar até a morte. Então buscamos alternativas românticas, psicológicas e filosóficas ao que está aí, e tudo se reduz ao intercurso normal com variações do mesmo. Daí talvez deparemos com leituras(alguns em viagens) de práticas de outras culturas na India, China e próximas, e que alguns 'importam' e vendem como mercadorias tipo 'massagens tântricas', cursos para casais tantricos e por ai vai. Inclusive agora tem um 'neotantra', introduzido pelo saudoso dr José Gaiarsa, mas logo apropriado por 'mestres de maithuna ritualizado, mesa branca do tantra, com uma tonelada de rituais e mantras, coisa que enquadra em estereótipos a libido. Tive uma dramática iniciação no tantra há uns 25 anos atrás para salvar minha própria energia sexual da falência anunciada, e a busca ampliou holisticamente o tantra pelas camadas arquetípicas soterradas na libido kundalínica, até que o arquétipo central do Self, Cristo, fosse centralizado em meu ser e resgatasse o tantra da obsessão e exclusividade na psique. O tantra deve ser um instrumento e não o senhor de nossa energia e psique. Neste blog pretenderei levar o tema em amplos aspectos de práxis holística e não manuais práticos que servem para objetificação e dualidade interesseira. Que a luz de Cristo resplandeça em nós!