O Tantra surgiu numa cultura, o Hinduismo, que se manteve incontáveis séculos isolada naturalmente no vale do rio Indo entre 3.300 a.C. a 1800 a.C. onde se compuseram alguns dos livros mais antigos, o Rig Veda-civilização florescida na região que hoje é Paquistão e numa região vizinha onde corria o extinto e místico Rio Sarasvati-hoje desértica. O fértil vale do rio Ganges proveu subsistência de baixo custo e sem esforço, e uma vida de facilidades estimulou a vida intelectual e a natureza proveu a especulação filosófica, resultando no crescimento da arte,filosofia e literatura. A dominação do clã sacerdotal dos brâmanes(cultura védica) foi contestada nos últimos séculos por livres pensadores das castas dos guerreiros(kshatryas),artífices urbanos(vaishyas)e andarilhos intelectuais (parivrajakas),todos conhecidos como praticantes(Shramanas), que admitiam livre acesso à iluminação não importava sua condição social. O budismo surgiu e era um aspecto da visão Shramânica. Apartir daí novas composições oriundas de tradições secretas em famílias de artífices(vaishyas) durante séculos foi conhecida como Tantra('rede'), produzindo obras literárias místicas e diversificadas, entendidas como revelações, surgindo seitas de seguidores de deuses diversificados do panteão hinduista(Ganesha,Vishnu,Shiva Surya, a deusa Durga ou Shakti). Numa terceira fase houve tentativa de integração entre a cultura védica e a shramânica por um brâmane Shankara Acharya, fundando ordens monásticas do sistema vedanta originando obras como os Upanishadis, mas rejeitado como dualista por intelectuais do tantra. Esta união de adversários intelectuais foi acelerada pelo perigo das invasões de povos islâmicos e incursões européias apartir do século VI, afastando a India de sua própria cultura por cerca de mil anos, até a independência com reafirmação da casta bramânica pelo uso da violência e do sacrifício pessoal,além de ações do pacìfico Gandhi junto ao povo.(para esta resenha consultamos História Viva,Hinduísmo,ed. Duetto, op.cit.)
Já o desenvolvimento histórico do taoismo é bem menos conhecido e divulgado, sendo que o nascimento do Estado na China aconteceu em 2000 a.C. com o surgimento de antigas dinastias, sendo que a primeira delas, a dinastia Xia, tem um caráter lendário. Nesta idade de ouro da China surgem os cinco imperadores sábios que presidiram o nascimento do império, mas atribuem-se a um deles, Huang-ti, o imperador amarelo, a descoberta e a transmissão do segredo da imortalidade. Não se sabe ao certo a natureza desta suposta imortalidade, podendo-se tomar em sentido figurado ou literal as informações em que Huang-Ti se empenhou, tais como na cura de doenças, incrementando o vigor à vida e dilatando os limites da existência. Esta busca o levou a testar a transmutação da essência combinando o masculino e o feminino com vistas à obtenção do corpo espiritual, uma alquimia andrógina, talvez holística, logrando destilar o "elixir de ouro", ao cabo do qual, numa imagem hiperbólica, "montando num dragão voou para a terra dos imortais". Segundo a tradição neste tempo os homens viviam de acordo com as laeis naturais, sabendo como prevenir doenças e curá-las, alcançavam vida longa. Cultivando o caminho conectavam-se com a própria fonte do saber divino. Mas à idade de ouro sucederam dias de declínio e o mortais se afastaram em massa do caminho e em lugar de darem apreço à sabedoria, os próceres do império se entregaram à volúpia, sendo que os discípulos dos sábio se empenharam na busca de recompensas mais tangíveis. Somente no século V a.C. com o surgimento do Confucionismo e seus valores sociais de lealdade ao soberano e piedade no lugar da serenidade e da comunhão mística com o caminho(Tao), é que surgiu o termo taoismo para distinguí-los. Numa tentativa de instruir os príncipes feudais e seus ministros, de modo que 'tudo sob os céus ficasse livre da anarquia', Lao-Tzu(ou Lao-Tsè) pintou os cinco mil caracteres que passaram a ser conhecidos como A Escrita do Caminho e Sua Virtude(tao-te king), a mais alta expressão do pensamento chinês, um completo sistema filosófico dotado de metafísica, que entrevê e descreve o Tao como causa primeira e bem supremo do universo. E no desenrolar da filosofia e história da China emerge o debate dialético entre os pensadores taoistas, confucionistas e pragmáticos, além do budismo que, ao lado do catolicismo, se infiltrou na China, distribuídos entre escolas que foram se desenvolvendo com fortes características regionais, mas que ao longo dos séculos e milênios foram se miscigenando e recriando, desintegrando e re-emergindo na mente e na prática dos homens.
Foi ao longo deste debate que taoistas urbanos e com família, diferenciando-se dos taoistas celibatários e isolados, elaboraram práticas do 'tao do amor', tal como constatada no I Hsin Fang, um livro médico do período T'ang, e as descobertas do Imperador Amarelo, Huang Ti e sua principal conselheira feminina Su Nu, na elaboração do nei tan(elixir interior), essa parte tão importante da alquimia chinesa que mantém relação muito direta com técnicas sexuais, acreditando-se que prolongavam a vida e conduzissem à imortalidade(seja como for encarada). Baseamo-nos para esta resenha nas informações de John Blofeld(Taoismo- A Busca da Imortalidade), em Mokusen Miyuki(A Doutrina da Flor de Ouro), Eva Wong(As Artes Taoistas da Saúde, da Longevidade e da Imortalidade), Jolan Chang ( O Taoismo do Amor e do Sexo), nos livros de Mantak Chia(A Energia Curativa do Tao e O Homem Multiorgásmico, além de tantas obras alquímicas taoistas), Hiroshi Motoyama(Teoria dos Chackras, Ponte para a Consciência Superior), Felice Dumas(Jogos de Paixão), Thomas Merton(A Via de Chuang Tzu), Maciocia( Os Fundamentos da Medicina Chinesa) e diversas obras de acupuntura.
Um blog dedicado a aprofundar a dimensão tântrica e holística da sexualidade e do amor, a rede de conexões em diálogo com as culturas que valorizam a totalidade do ser, intentando redimensionar a nagualidade de Cristo como arquétipo e a presença desta totalidade em nós, para além de dualidades e conflitos ego-culturais e religiosos, redescobrindo o poder da liberação da energia sexual dos condicionamentos instintivos e históricos.
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