Refletir e ir a-caminho no Unotantra Crístico
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| foto:Dinarte Araujo Neto |
Em certa época debrucei-me sobre as obras de Carlos Castaneda que exerceram impacto profundo sobre minha formação pessoal e me colocaram no caminho do holismo. D. Juan Matus, o arquetípico mestre iniciador de CC, ensinava que para por uma pessoa a caminho de sua totalidade, sair do atoleiro existencial que o consenso nos reduzia, a egomania é um tirano real, e que precisávamos trabalhar incessantemente para destroná-la. Afirmava que a energia sexual era nossa energia básica e que ao disperdiçá-la na prática sexual estávamos reduzindo nossas chances de alcançar a liberdade que a totalidade nos possibilita. Livros de CC tais como O Fogo Interior, O Poder do Silêncio, A Arte de Sonhar, O Lado Ativo do Infinito são cada vez menos lidos e conhecidos do público. Uma enorme perda. Entretanto ficou faltando na abordagem tolteca de CC um caminho de reconciliação entre sexo-amor e caminho da totalidade, coisa que deve ter afastado muitos de seus leitores. A energia sexual é ambíqua em nossa economia energética: tem poder de reduzí-la como de expandí-la a curto ou longo prazo, depende de nosso comportamento, consciência e conhecimento a seu respeito. Os sábios antigos buscavam a força curativa do organismo, a physis dos pré-socráticos ou força vital da homeopatia de Hahnemann. Freud redescobriu a libido como força fundamental da psique, mas foi W. Reich quem correlacionou a libido como energia(Orgônica)pulsante no organismo, retesada em couraças psico-musculares e descarregada no intercurso sexual. Entretanto Reich reconhecia a pressão que a cultura e as estruturas sociais moldavam a expressão da energia orgônica, chamado de normose pela visão holística. Na obra O Corpo Onírico, Ernest Mindell, um Junguiano, considera a energia sexual com potencial para ser um mercúrio multiforme, que liga a terra com o céu, o fogo kundalínico e seus chakras, a rota macro/microcósmica do taoismo( a circulo sagrado que interliga a terra e o céu, o homem ao Tao). Assim é preciso considerar a correlação entre energia sexual na base da força vital/physis e drenada na normose sexual (que a cultura e a sociedade incentiva,a ciência como produto cultural reafirma), bem como considerar como legítimos os modos tântrico-taoistas de intensificar, canalizar e ampliar holísticamente a energia sexual, tanto na esfera humana direta quanto na religação com a totalidade que ultrapassa o humano. Em uma perspectiva humano-transcendental onde o amor religa o Coração-Mente em nós, é fundamental recolocarmos Cristo no centro holístico desse amor, para que a energia sexual tântrica ampliada não seja coaptada por símbolos e culturas orientais, o que seria reafirmar a Cultura em si, ou seja, as grades que condicionam as sociedades em aspectos dualísticos,mesmo que pretenda atingir a essência da verdade. A Cultura é uma produção humana em resposta ao incognoscível e inclassificável da totalidade, o aspecto ameaçador do Mistério.Afinal, nós não sabemos de antemão o que nos vem a-caminho, e as profecias são âncoras de intenção para moldar um futuro. Preparam uma estrada. Cristo como arquétipo dessa totalidade onde o ser humano participa, um Cristo holístico para além do condicionamento cultural e religioso, além do ego cultural que asfixia o centramento no Self transpessoal. A crítica exegeta dos evangelhos pode nos ser um início desta transposição de Cristo para um plano arquetípico e transcultural. Sobre isso recomendaria a obra de Bart D. Ehrman, O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse?(Quem mudou a Bíblia e Porquê)- da pocket ouro.
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